A França eleva o tom e pede o fim do “massacre” na Faixa de Gaza

O governo francês exige um cessar-fogo e uma solução política para o fim do conflito

Hollande, junto ao ministro Fabius, na sexta-feira.
Hollande, junto ao ministro Fabius, na sexta-feira.F. Mori (AP)

O presidente francês, François Hollande, levantou ontem o tom ao pedir o fim do “massacre” de civis na Faixa de Gaza, após o ataque do fim de semana contra uma escola-refúgio em Rafah administrada pelas Nações Unidas, em que morreram pelo menos 10 palestinos. Mais contundente ainda foi o ministro das Relações Exteriores, Laurent Fabius, que considerou que o direito de defesa de Israel, apesar de ser “total”, “não justifica a matança de civis, e exigiu a imposição por parte da comunidade internacional de uma solução política. Com isto, Paris também se soma às crescentes críticas internacionais e endurece sua postura.

“Quantos mortos são necessários para que termine a matança?”

O presidente Hollande disse que é preciso tomar medidas em vista “do que ocorre a cada dia com os cristãos do Iraque, as minorias na Síria, os massacres diários. O que ocorre também em termos de massacres em Gaza”. Depois do tempo transcorrido, “temos que atuar”, acrescentou falando para a imprensa em Liége (Bélgica), onde participou nas comemorações da I Guerra Mundial. O mandatário é criticado por setores da esquerda francesa, por seu posicionamento, considerado pró-israelense nos primeiros dias da ofensiva de Israel na Faixa de Gaza e por sua falta de firmeza. A Europa “precisa atuar, tomar a iniciativa em nível internacional”, acrescentou Hollande ontem.

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Pela manhã, o ministro das Relações Exteriores já tinha dado sinais de um endurecimento da postura francesa. “Quantos mortos mais serão necessários para que acabe o que não podemos chamar de outra coisa que a matança de Gaza?”, perguntou em seu comunicado. “O direito de Israel à segurança é total, mas não justifica que se mate crianças nem o massacre de civis”, acrescentou no texto, onde apontou também a responsabilidade do movimento palestino Hamas na “engrenagem macabra que serve sobretudo aos extremismos”. “Mas isto não justifica tampouco o que o secretário-geral das Nações Unidas classificou de crimes”, reforçou em referência à condenação da ONU do bombardeio da escola de Rafah no último domingo.

A França “exige a instauração de um cessar-fogo como o proposto pelo Egito”. Fabius manifestou, além disso, a disponibilidade de seu país e da Europa de contribuir para que a proposta seja colocada em funcionamento. “Uma solução política é indispensável, cujos parâmetros conhecemos e que, na minha opinião, deveria ser imposta pela comunidade internacional”, frente à incapacidade das duas partes de entrar em acordo, acrescentou. “Cessar-fogo, imposição da solução dos dois Estados e segurança de Israel; não há outra via”, concluiu Fabius.

É a primeira vez que Hollande utiliza a palavra “massacre” para se referir ao que ocorre em Gaza. Fabius já tinha falado isso, mas sem culpar Israel diretamente.