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Israel intensifica sua ofensiva e destrói a única central elétrica de Gaza

Uma centena de palestinos morreu durante os bombardeios desta terça-feira

Um cemitério na cidade de Gaza, nesta segunda.

Mais de 100 palestinos morreram entre a meia-noite de segunda-feira e 18h desta terça-feira, depois da intensificação dos ataques israelenses contra a Faixa de Gaza, anunciada pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na segunda à tarde. Assim, o número de mortes, fornecido pelas autoridades palestinas, disparou em torno de 10% em apenas 18 horas. Israel “intensificou” seus ataques sobre o território “para neutralizar os túneis do Hamas”.

Com uma nova leva de advertências por telefone e mediante panfletos, as Forças Armadas israelenses ordenaram a “evacuação” de diversos bairros e municípios do leste e do norte da faixa, onde já morreram mais de 1.150 palestinos desde que Israel começou sua operação militar contra o grupo islâmico Hamas no dia 8 de julho. Mais de três quartos das baixas são civis, segundo cálculos da ONU. Mais de 215, crianças.

Na segunda-feira ao meio-dia, um ataque aéreo no campo de refugiados de Jabalia matou uma menina de 14 anos chamada Tahrir Yaber. O pai dela ficou ferido. À tarde, diversos bombardeios acabaram com a vida de 13 palestinos na mesma zona.

Israel confirmou que o número de soldados mortos desde o início da ofensiva subiu para 53. Além disso, morreram três civis, dois israelenses e um trabalhador tailandês. A ordem de evacuação de segunda-feira afetou mais de 400.000 palestinos da faixa. Mais de 200.000 gazenses que abandonaram suas casas se refugiam em dezenas de colégios da ONU. Um número elevado de palestinos encontrou refúgio em casas de familiares. A noite entre segunda e terça foi uma das mais violentas desde que Israel empreendeu essa nova operação terrestre em Gaza, na noite do dia 17 de julho.

Além de endurecer os bombardeios por ar e terra, as tropas israelenses atacaram a única planta elétrica do minúsculo território palestino, que ardeu pelo impacto de duas granadas lançadas por tanques israelenses contra um de seus depósitos de combustível. Segundo o subdiretor da companhia elétrica, Fathi el Sheikh Khalil, a central “não poderá gerar energia elétrica durante ao menos um ano”.

As Forças Armadas de Israel bombardearam, na madrugada de terça-feira, a casa de Ismail Haniya, dirigente do Hamas e ex-primeiro ministro

A explosão agravará os problemas de abastecimento elétrico de que padecem os 1,8 milhões de habitantes de Gaza. A central, que fornecia dois terços da energia, já havia sofrido ataques na semana passada, assim como em ofensivas anteriores, e estava funcionando a 20% de sua capacidade. Fornecia eletricidade durante apenas algumas horas por dia. As tremendas chamas impediam a aproximação às imediações do lugar.

A destruição da planta elétrica também trará dificuldades ao abastecimento de água potável, como informou a Prefeitura da Cidade de Gaza, que pediu para os residentes racionar o consumo do líquido.

Entre outros novos objetivos, as Forças Armadas de Israel bombardearam, na madrugada de terça-feira, a casa de Ismail Haniya, dirigente do Hamas e ex-primeiro ministro, no campo de refugiados de Shati. Seguindo um agente de segurança que se identificou como Abu Fatti, Israel “avisou com três foguetes de dron”, esperou 45 minutos e destruiu a casa “com um só míssil”. O ataque arrasou um edifício de três andares, mas deixou as imediações praticamente intactas.

Fracasso diplomático

Depois do fracasso das tentativas do Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, de conseguir, em sua viagem ao Oriente Médio, um cessar-fogo permanente entre Israel e o Hamas, o presidente Barack Obama manifestou neste domingo por telefone ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o “imperativo estratégico” de estabelecer uma trégua humanitária “imediata e incondicional” que acabe com as hostilidades cruzadas e que conduza a um cessar-fogo permanente baseado no acordo de novembro de 2012, informa Joan Faus, de Washington.

Ao considerar o Hamas um grupo terrorista, os EUA rechaçaram negociar diretamente com a organização que controla a Faixa de Gaza e procura uma saída a esta crise a partir da mediação de terceiros países, como o Egito.

Segundo um comunicado da Casa Branca, Obama voltou a apoiar o direito de Israel de se defender e a criticar os ataques do Hamas, mas comunicou a Netanyahu a “séria e crescente preocupação” dos EUA pelo aumento das mortes de palestinos civis e de israelenses, e a “piora” da situação humanitária em Gaza. Em ligações e declarações públicas anteriores, o mandatário tinha se expressado em termos similares.

Obama também insistiu na importância de garantir a segurança de Israel, mas ao mesmo tempo que a população palestina em Gaza possa ter “vidas normais” e que se solucionem as “necessidades de desenvolvimento” da Faixa. Finalmente, disse a Netanyahu que qualquer “solução duradoura” ao longo conflito israelense-palestino “deve garantir o desarmamento dos grupos terroristas e a desmilitarização de Gaza”.