conflito no oriente médio

Os Estados Unidos reforçam ações na busca de um cessar-fogo em Gaza

A suspensão de voos, prorrogada por mais 24 horas, preocupa os israelenses

Soldados israelenses perto da fronteira de Gaza com Israel.
Soldados israelenses perto da fronteira de Gaza com Israel.jack guez (afp)

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, constatou nesta quarta-feira que estão sendo dados “alguns passos” para avançar até um cessar-fogo entre Israel e o Hamas. No entanto, para evitar qualquer excesso de otimismo, reafirmou que resta “muito trabalho por fazer” para que terminem as hostilidades. Essa foi sua conclusão depois de se reunir em Ramala com o presidente palestino, Mahmud Abbas, e com o Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em Jerusalém.

Kerry defendeu que o acordo proposto pelo Egito, que está mediando - e que consiste em uma trégua total dos dois lados e, depois, um processo de negociação no Cairo - é a melhor opção para colocar fim à sangrenta operação sobre Gaza. Kerry se reuniu esta quarta-feira à noite com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O norte-americano abandonou Israel rumo ao Cairo sem comunicar nenhuma novidade.

Toda a liderança palestina se une ao Hamas para exigir o fim do bloqueio

As negociações começaram com um novo cenário, o gerado pelo presidente Abbas depois de assumir também as exigências do Hamas para parar com seus ataques. De madrugada, em um encontro no palácio presidencial de Ramala, o máximo órgão de decisão palestino tinha respaldado a demanda de que termine o bloqueio imposto sobre a Faixa em vigor desde que o Hamas assumiu o poder em 2007. É a reclamação chave essencial dos islâmicos, que também exigem a libertação de palestinos presos nas incursões para localizar os três jovens judeus assassinados na Cisjordânia em junho.

Este apoio significa uma notável novidade em relação à postura do rais palestino na última grande operação israelense, Pilar Defensivo, em novembro de 2012, quando seu papel mediador foi menor e quando seu chamado ao fim do cerco não foi tão forte, por ter sido afastado do processo de tomada de decisões. Agora Abbas sabe que o Hamas não vai querer ceder para voltar ao status quo anterior a esta crise, por isso precisa dar esse aval para participar da mesa de negociações e, além disso, deixa evidente seu compromisso real com seu novo sócio, com quem no último 23 de abril assinou a paz depois de sete anos de disputas, abrindo o caminho para um governo de unidade que dá seus primeiros passos no meio das bombas.

A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) emitiu um comunicado no qual fixou claramente este apoio ao Hamas. “Suas exigências para colocar fim à agressão [por parte de Israel] e do fim do bloqueio em todas suas formas são as exigências de todo o povo palestino”, ressaltou Yasser Abed Rabbo, membro de seu comitê executivo. Falou também de sua “confiança” de que Gaza “não será vencida” graças ao apoio, “através de todos os meios possíveis”, do resto dos palestinos.

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O Hamas ainda não pertence à OLP, mas exatamente um dos pontos do acordo de unidade contempla que, nos próximos meses, integre a organização para que todas as facções palestinas logrem uma única cabeça política. Isso implica também, como lembrou Abbas reiteradamente, assumir todos os acordos prévios assinados pela OLP nos quais reconhece a legitimidade de Israel e rechaça o uso de toda forma de violência.

Israel, além dos despachos, concentrava nesta quarta-feira, sua atenção no veto das grandes empresas aéreas dos Estados Unidos e da Europa a toda viagem ao aeroporto internacional de Ben Gurion, por motivos de segurança, depois de que na terça-feira um foguete das milícias impactasse na localidade próxima de Yehud. Todas elas, desde as aglutinadas na Administração Federal de Aviação dos EUA até grandes empresas europeias como a Lufthansa ou a Air France, renovaram a decisão por pelo menos 24 horas. O Ministério de Transporte ofereceu o aeródromo de Ovda, ao sul, a três horas e meia de Jerusalém, mas na noite desta quarta-feira, apenas a italiana Neos tinha aceitado esta alternativa. Dos 55.000 passageiros previstos para esta quarta-feira, pousaram 32.000 confirmou o ministério. “Fechar o espaço aéreo de Israel é uma vitória da resistência”, felicitou-se um porta-voz do Hamas, segunda a agência palestina Maan.

Os mortos civis aumentaram nesta quarta-feira para três em Israel ao falecer um trabalhador tailandês. O Exército informou que mais de 2.000 projéteis disparados a partir de Gaza caíram em seu território nestas duas semanas, 60 nesta quarta-feira. Os militares mortos em combate com o Hamas chegam a 32. No enterro de um deles, um jovem norte-americano recém-recrutado e que vivia sozinho no país, participaram 30.000 pessoas, convocadas por redes sociais. Mais de 50 reservistas assinaram uma carta, publicada no The Washington Post, na qual rechaçam servir no Exército pela “opressão” que este exerce sobre a Palestina.

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