CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

As principais companhias aéreas suspendem seus voos para Israel

A suspensão chega depois de um foguete cair próximo ao aeroporto de Tel Aviv

Um homem consulta a lista de voos no aeroporto da Filadélfia.
Um homem consulta a lista de voos no aeroporto da Filadélfia.M. R. / AP

Todas as companhias aéreas estadunidenses e boa parte das europeias decidiram suspender seus voos para entrar e sair de Israel por conta de um impacto, nesta terça-feira, de um projétil lançado da Faixa palestina e que acertou uma casa a menos de dois quilômetros do aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv.

A Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos proibiu todas as companhias aéreas do país de voar durante 24 horas. A FAA considera que isso cria uma “situação potencialmente perigosa”, explicou a autoridade responsável pela aviação civil dos EUA. A Air Canada se somou à iniciativa, anunciando no Twitter que acompanhará a situação. Passadas as 24 horas regulamentares da proibição de voos, às 16h15 de quarta-feira (15h15 de Brasília), a FAA “avaliará a situação”.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pediu nesta mesma terça que o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, o ajude a revogar a medida, segundo informa a agência Reuters, citando fontes oficiais de Israel.

As companhias europeias também reagiram. O grupo Lufthansa (que inclui GermanWings, Austrian Airlines e Swiss Air) suspendeu durante 36 horas seus voos para Tel Aviv. A Air France e a KLM cancelaram seus voos indefinidamente, enquanto a companhia aérea belga Brussels Airlines também os que tinha programados para terça e quarta-feira.

O único voo da Iberia que voava à capital israelense a partir de Madri também foi suspendido, medida que se estende à Vueling, para seus voos de Barcelona a Tel Aviv e vice-versa. Um avião da Turkish Airlines que voava de Istambul a Tel Aviv deu meia volta nesta terça depois de decidir suspender suas operações por 24 horas. As companhias locais, como El Al, Arkia e Israel Airlines mantêm suas atividades sem problemas, e tampouco se vê afetada, por enquanto, a linha regular, diária, com a Jordânia.

A Agência Europeia de Segurança Aérea (EASA, em suas siglas em inglês) recomenda às companhias europeias que não voem a Israel. Um porta-voz da agência afirmou em um e-mail à Reuters que antes da quarta-feira será emitido um boletim que inclui uma “forte recomendação” para que as empresas evitem o aeroporto de Ben Gurion.

O ministro de Transportes, Israel Katz, explicou às companhias dos Estados Unidos que “a decolagem e a aterrissagem no aeroporto de Ben Gurion não prevê nenhum problema de segurança para os aviões ou para os passageiros”, de acordo com uma nota oficial. “É um lugar seguro e está completamente protegido. Não há razão alguma para que se deixe de voar e que se pague o preço do terror”, acrescentou.

O golpe psicológico é importante pra Israel, um país rodeado de adversário com os quais não há comunicação fluída de nenhum tipo – com exceção da Jordânia e, com limites, o Egito –, isolado geograficamente e que tem na Europa e nos Estados Unidos seus principais apoios. Vai muito além do político; se fecha a eles o cenário onde fazem negócios, a cooperação universitária e tecnológica, a conexão com comunidades judaicas potentes, como a Holanda e os Estados Unidos.

A suspensão de voos chega em plena temporada alta, quando Israel estava recuperando seu ímã para o turismo, afundado nos anos da Intifada. Os operadores turísticos confirmaram na segunda-feira que estavam recebendo “importantes” cancelamentos de grupos e de indivíduos pela tensão da ofensiva em Gaza e pelos mísseis. Agora, eles podem ser massivos, e os prejuízos, milionários.

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