A maturidade de Cameron Diaz

A atriz estreia a comédia ‘Perdido na nuvem’

Cameron Diaz, no mês de abril em Londres.
Cameron Diaz, no mês de abril em Londres.Rune Hellestad

Poucos discutem em Hollywood o status de estrela de Cameron Diaz (1972, San Diego) desde que, em 1994, ela arrasou nas bilheterias com seu primeiro filme, O Máscara.

Daí em diante, protagonizou comédias de todo o tipo, um gênero no qual se sente extremamente confortável (“Adoro a honestidade que transmitem. Para mim, comédia é quando alguém está dizendo a verdade, a verdade absoluta. Não sei se faço isso muitas vezes, mas adoro assistir”), com títulos tão memoráveis quanto Quem quer ficar com Mary ou O casamento de meu melhor amigo. No entanto, a californiana foi capaz de fugir à tentação de uma carreira uniforme e é possível verificar isso em filmes totalmente distantes das grandes produções dos estúdios norte-americanos. Como ser John Malkovich ou Uma loucura de casamento talvez sejam os exemplos mais explícitos de sua intenção de se manter em uma linha na qual qualquer personagem é possível. “Gosto de acreditar que sou capaz de tudo”, repete a atriz toda vez que é perguntada sobre sua capacidade de fazer qualquer papel.

A atriz se senta agora, garrafa de água extragrande na mão, em um hotel de Barcelona para falar de seu último trabalho, Perdido na nuvemque estreia na sexta-feira — cujo título original (Sex tape) é um tanto mais explícito e que une duas das grandes obsessões do homem moderno: Internet e sexo. Uma, contemporânea; a outra, recorrente, mas ambas levam a atriz a refletir sobre sua própria relação com a tecnologia: “A tecnologia me odeia, ela me olha e diz: ‘Eu não trabalho para você’... E além disso tenho problemas com as mensagens de texto todo dia, especialmente com o iPhone. Você toca acidentalmente na tela e elas já são enviadas, aí você pensa: não devia ter mandado isso [risos]. Não gosto de depender da tecnologia e de não ter outras opções, porque na verdade não temos outras opções. Mas realmente posso passar muitos dias sem responder e-mail. O que aconteceria se você me tirasse o telefone por uns dias? Eu ficaria bem mal”, afirma Diaz.

Em Perdido na nuvem, Diaz e seu marido (interpretado por Jason Segel) colocam por engano um filme caseiro de sexo na internet e decidem se lançar em uma missão delirante para impedir que a coisa chegue a mãos erradas. Para a atriz, o filme tem uma mensagem absolutamente feminista: “O fato de ser ela quem quer fazer o filme foi uma decisão muito consciente. Se a ideia fosse dele, seria diferente e haveria espaço para todo tipo de interpretações totalmente distintas. Então quisemos dar poder a Annie, porque as mulheres têm suas próprias fantasias sexuais e suas próprias necessidades”, explica. Diaz se destacou nos últimos anos por ser uma das atrizes mais beligerantes contra a intolerância, além de levantar a bandeira de várias causas, especialmente as que têm a ver com a Aids ou a pobreza infantil. A atriz (que fundou sua própria ONG, Begin today for tomorrow, em 2001) pode ser vista em eventos como o TED, uma reunião de líderes das áreas de design, cultura e tecnologia, talvez desmentindo o que ela mesma diz de que “muitas vezes não entendo meus próprios filmes”.

A atriz, filha de mãe e pai cubanos entende, mas não fala espanhol, faz filmes há duas décadas e agora parece ter encontrado outra área à qual dedicar seu tempo, a escrita: “Meu livro tenta simplesmente familiarizar as mulheres com seu próprio corpo, que acho que continua sendo um grande desconhecido”.

Quando é indagada se acredita que o papel das mulheres em Hollywood mudou nos últimos anos, a atriz faz uma pausa para refletir: “Por mais que as coisas mudem, ainda vivemos em um mundo muito chauvinista, alguns homens continuam tendo essa sensação de superioridade, até nos países mais avançados e liberais, essa sensação de que a mulher não é proprietária de seu próprio corpo: muitos homens acreditam ter algum direito sobre o corpo da mulher”, explica a atriz, que em seguida esclarece: “Faço cinema há 20 anos e nunca me aconteceu, nunca achei que tivesse menos oportunidades em Hollywood pelo fato de ser mulher e na realidade acredito que haja cada vez mais filmes para mulheres e mais papéis femininos. Há 14 anos fizemos As panteras e depois filmamos a sequência, porque as pessoas gostaram da primeira. Desde então fiz um monte de papéis femininos principais, falando só por mim, nunca tive nenhum problema”.

Diaz começou sua carreira profissional como atriz depois de cinco anos dedicados ao mundo da moda (foi modelo no Japão por anos) até que decidiu tentar a sorte no universo cinematográfico. Desde então protagonizou mais de trinta filmes (com blockbusters como a citada As panteras ou a saga de Shrek, onde faz a voz de Fiona) e recebeu quatro indicações aos Globos de Ouro, além de se tornar uma das atrizes mais bem pagas do mundo, chegando a rivalizar com Julia Roberts no clube dos 20 milhões de dólares (44 milhões de reais) por filme.

Para a californiana ainda não está claro o que mudou nesse período: “Acho que estou mais madura... Vinte anos é muito tempo e quero acreditar que, pessoalmente, cresci bastante. O que acontece é que sinto, às vezes até demais, que continuo sendo uma menina de 21 anos ou um menino de 14 [risos]”.

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