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Israel retoma a ofensiva contra Gaza após algumas horas de interrupção

O gabinete de segurança tinha aceitado a proposta de cessar-fogo apresentada pelo Egito, rejeitada pela ala armada do Hamas, que a considerou uma “rendição”

O Governo israelense aceita o cessar-fogo proposto pelo Egito. ATLAS

Israel retomou nesta terça-feira a ofensiva aérea contra a Faixa de Gaza, seis horas depois de ter aceitado unilateralmente a proposta de cessar-fogo apresentada pelo Egito na noite de segunda-feira. O gabinete de segurança israelense, reunido durante a madrugada, tinha votado a favor do texto provisório que propõe um processo de redução das hostilidades a partir das 9h00 (3h00 em Brasília), que levaria a um cessar-fogo efetivo depois de 12 horas. “As forças de segurança [israelenses] estão atacando de novo”, anunciou um porta-voz militar em Jerusalém. No lapso de seis horas sem bombardeios israelenses, pelo menos 30 foguetes foram disparados contra Israel por “terroristas” palestinos, conforme afirmou o Exército no Twitter.

Israel divulgou sua decisão apenas uma hora depois de um porta-voz da ala armada do Hamas ter anunciado que a organização rejeita um texto que, segundo afirmou, “supõe uma rendição e não vale nada”. O Hamas nega ter sido consultado ou informado antes do anúncio israelense, segundo divulgou pela manhã a agência palestina Maan.

Se é fato que o Hamas não foi contatado nem pelo Egito nem por outros mediadores antes do anúncio, a manobra israelense da manhã pode ser interpretada como tentativa de deslocar o foco de atenção para o Hamas. Se continuassem a rejeitar o plano, os líderes islamitas poderiam ser vistos como responsáveis pela continuação das hostilidades.

Ontem à noite, em discurso transmitido pela televisão, o chefe do Hamas, Ishmail Haniya, convocou os palestinos à resistência, mas também fez questão de reconhecer o “sacrifício” da população da Faixa de Gaza. Para alguns analistas, o fato pode ser interpretado como tentativa de preparar os palestinos para um hipotético cessar-fogo.

Apesar de ter rejeitado o plano, o Hamas lançou apenas dois foguetes contra Israel na noite passada. Hoje pela manhã os lançamentos foram retomados. Israel reduziu substancialmente os bombardeios de Gaza, que em uma semana já deixaram pelo menos 178 mortos palestinos e cerca de 1.300 feridos. De acordo com cálculos da ONU, 80% das vítimas são civis. Mais de 30 dos mortos eram crianças.

Os líderes do Hamas estão agora sob pressão de seus interlocutores internacionais: o emirado de Catar, a Turquia e o Egito. O rico reino catariano tem em seu bolso os argumentos mais convincentes para levar o Hamas a aceitar a mediação egípcia.

De acordo com informações recentes, entre as 2h e as 3h (horário de Brasília) desta manhã, em ataques aéreos de Israel contra Khan Yunis e Rafah, dois locais no sul da Faixa de Gaza, seis palestinos morreram em cada cidade.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, fez questão de manter-se à margem das conversações e cancelou uma viagem ao Cairo que tinha prevista para esta quarta-feira. O chefe da diplomacia americana dedicou grandes esforços este ano à busca de um acordo de paz definitivo entre Israel e palestinos. O prazo se esgotou no final de abril sem qualquer vislumbre de entendimento. Desde então, os Estados Unidos, aliado firme de Israel, vem acusando os israelenses de dificultar as negociações.

Segundo diversos meios de comunicação israelenses, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu era a favor de aceitar o texto redigido pelo Egito na segunda-feira. Pelo menos dois ministros, os direitistas Nafatalí Bennet (Economia) e Avigdor Lieberman (Exterior), votaram contra. A questão é se os termos do cessar-fogo proposto são remotamente aceitáveis para a organização palestina, que tinha citado condições para um cessar-fogo que não estão contempladas na proposta egípcia. Entre elas, a libertação por Israel de centenas de militantes do Hamas que, depois de serem libertados em 2011 em troca da soltura do soldado israelense Gilad Shalit, voltaram a ser detidos recentemente.

A noite de segunda foi relativamente tranquila em Gaza, após uma semana de bombardeios maciços em que o Exército israelense não matou nenhum dos líderes do Hamas ou da Jihad Islâmica que tinha em sua mira.

O Hamas, por sua parte, não conseguiu desferir um golpe duro contra Israel. Os aproximadamente 1.000 foguetes lançados desde Gaza contra Israel esta semana não fizeram uma única vítima mortal em Israel. Os termos do cessar-fogo egípcio supõem a restauração da situação vigente há dez dias. As malas desta viagem tão curta transbordam de cadáveres de civis palestinos.

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