Foge o chefe do bando da venda de ingressos ligado à FIFA

Ray Whelan foi detido na segunda como um dos principais acusados da 'Operação Jules Rimet'

Ray Whelan, detido no dia 7 de julho no Rio de Janeiro.
Ray Whelan, detido no dia 7 de julho no Rio de Janeiro.REUTERS

Ray Whelan, diretor da Match Services e suposto chefe do bando de venda ilegal de ingressos desarticulado na semana passada pela polícia do Brasil, fugiu na tarde desta quinta-feira do luxuoso hotel Copacabana Palace, onde estava hospedado, 15 minutos antes de agentes da Polícia chegarem ao local para efetuar sua prisão. Whelan, que tinha sido libertado horas depois de sua primeira detenção, na segunda-feira (efetuada também no mesmo hotel), é considerado foragido pela polícia brasileira depois que a juíza Joana Cortes decretou a prisão preventiva dele e de outros 10 detidos na Operação Jules Rimet. A Match Services é uma empresa associada à FIFA que administra exclusivamente os pacotes de entradas VIP e é controlada pela Infront, uma companhia da qual é acionista Phillip Blatter, sobrinho do atual presidente da entidade que dirige o futebol mundial.

Segundo o delegado Fabio Barucke, responsável pela investigação, as câmeras do hotel registraram o momento da fuga de Whelan, que até o momento tinha negado qualquer relação com o empresário argelino Lamine Fofana, considerado o ‘segundo’ da rede e também detido, e até mesmo havia entregue seu passaporte britânico às autoridades como demonstração de boa vontade para conseguir o habeas corpus que lhe permitiu sair da prisão na terça-feira às 5h da manhã. Segundo a Associated Press, fontes da investigação afirmam que a checagem das 50.000 conversas registradas pela polícia (com autorização judicial) permite antecipar conexões mais estreitas desse caso com a FIFA e a Confederação Brasileira de Futebol.

A polícia considera estar provado que Whelan e Fofana organizaram um negócio ilegal de venda de ingressos para as partidas da Copa, cujos lucros por jogo poderiam chegar a dois milhões de reais e do qual participaram umas 30 pessoas. Esta é a quarta Copa em que exerciam essa atividade. A operação, iniciada há três meses, causou enorme mal-estar na FIFA (que não foi informada pela polícia para evitar vazamentos) e motivou acusações da própria empresa Match contra o Governo brasileiro por supostas “motivações políticas” do caso. O Executivo, porém, respalda a operação policial em andamento durante a semana crucial da Copa.