Israel diz a suas tropas que estejam preparadas para entrar em Gaza

O exército israelense informa que suas forças de defesa derrubaram nesta tarde um míssil lançado desde Gaza contra Tel Aviv

Ataques em Gaza. (reuters_live)

Israel iniciou na madrugada da terça-feira uma operação militar de grande escala contra a Faixa de Gaza, menos de dois anos depois do cessar-fogo que interrompeu bombardeios que causaram quase 170 mortes em 2012. Pelo menos 15 pessoas morreram, entre elas 11 civis, e dezenas ficaram feridas nos bombardeios, segundo fontes palestinas citadas pela agência Reuters. A agência Efe assegura que entre os mortos há pelo menos três menores, segundo fontes médicas locais. Na noite de segunda-feira, o Exército atingiu 50 alvos na Faixa de Gaza, sendo três deles a partir de navios de guerra. Segundo fontes militares, trata-se de lançadores de foguetes, edifícios e infraestrutura militar da organização islâmica Hamas, além das moradias de quatro supostos militantes seus no sul de Gaza.

O Exército afirma que até agora atingiu 150 "objetivos terroristas" em Gaza, "em resposta" aos mais de 100 foguetes disparados contra Israel nas últimas 24 horas, alguns deles interceptados pelo escudo antimísseis Cúpula de Ferro. O Exército informou que esse aparato interceptou um foguete em Tel Aviv. As imagens mostradas ao vivo por uma TV local mostraram uma dupla explosão no céu da cidade, após o toque de sirenes que alertam os ataques aéreos. Em outro incidente, soldados israelenses mataram quatro palestinos armados que tentavam entrar no sul de Israel pelo mar, na praia de Zikim. O Hamas assumiu a autoria da infiltração. O tenente-coronel Peter Lerner detalhou que um soldado israelense ficou levemente ferido na escaramuça, ocorrida perto de uma base militar próxima ao kibbutz de Zikim.

Mapa em espanhol da zona em conflito.
Mapa em espanhol da zona em conflito.EL PAÍS

Um alto oficial militar assegurou à agência France Presse que o Exército está "se preparando para todos os cenários possíveis, inclusive uma invasão ou uma operação terrestre". O Exército orientou a população numa distância de até 40 quilômetros da Faixa a permanecer perto dos refúgios antibombas.

O Exército israelense, que batizou o ataque como Operação Margem Protetora, entra assim em uma nova fase das recentes hostilidades contra o Hamas. O primeiro-ministro israelense, Benjamim Netanyahu, ordenou às suas tropas que estejam preparadas. O Gabinete de segurança israelense autorizou a mobilização de 40.000 reservistas, o que não aconteceu até o momento, em preparação a uma possível incursão terrestre na Faixa da Gaza, conforme informa o jornal israelense Yedioth Ahronot.

Tanto os bombardeios israelenses como o lançamento de foguetes continuavam durante a manhã da terça-feira. O Exército anunciou ter atingido "o militante do Hamas Mohamed Goda em Rafah, no sul da Faixa", e que seus aviões atingiram Mohammed Shaaban, um "alto dirigente terrorista do Hamas".

Mais informações

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmud Abbas, exigiu a "interrupção imediata dos ataques contra Gaza". Netanyahu, por sua vez, pediu aos soldados que "tirem as luvas" no combate ao Hamas, segundo fontes da rádio militar. Seu ministro da Defesa, Moshe Yaalon, alertou que a operação militar "não terminará em questão de dias". As Forças Armadas israelenses mobilizaram, além disso, duas brigadas de infantaria nas imediações da Faixa.

Soldados israelenses escoltam um grupo de palestinos detidos próximo a Kissufim.
Soldados israelenses escoltam um grupo de palestinos detidos próximo a Kissufim.Tsafrir Abayov (AFP)

Israel argumenta que se trata de uma operação contra o Hamas para deter o lançamento de foguetes no sul de seu território. Apenas na segunda saíram de Gaza 85 projéteis de diferentes calibres e alcances. Os islâmicos, da sua parte, ameaçaram esta noite bombardear Tel Aviv e suas imediações com projéteis mais sofisticados e potentes do que os usados até agora. Seus ataques noturnos, com 11 projéteis disparados de acordo com o Exército, foram comparativamente modestos. Mas os lançamentos continuaram nesta manhã. Desde que Israel iniciou a operação 'Voltem Irmãos', em busca dos três jovens cujos cadáveres foram encontrados na semana passada, se contabilizaram 200 foguetes disparados de Gaza, segundo fontes militares israelenses da Reuters.

Na segunda, Israel mobilizou 1.500 reservistas na fronteira com Gaza e endureceu o tom do discurso frente ao lançamento de foguetes e morteiros vindos da faixa palestina, atribuídas ao Hamas. Os islâmicos disseram que atacam em resposta à morte de seis de seus militantes no desabamento de um túnel, na noite anterior. Foi uma das mais sangrentas dos últimos anos, com nove militantes palestinos mortos no total.

O Exército nega haver bombardeado este túnel, fala de "acidente", e alega que a operação lançada esta noite é uma resposta aos recentes bombardeios com foguetes sobre o sul de Israel. As autoridades ordenaram os habitantes da zonal sul do país que se mantenham próximos de refúgios de proteção. O Hamas ameaçou começar um "terremoto" como resposta ao ataque e anunciou o lançamento de novos projéteis. Israel decretou alarme em uma área de 40 quilômetros ao redor de Gaza.

Passos até a operação militar

2 de abril de 2014. A Al Fatah e o Hamas combinam um Governo de unidade que põe fim a sete anos de enfrentamento fratricidas.

27 de abril. Benjamin Netanyahu dá por encerradas as negociações de paz dois dias antes de terminarem oficialmente

15 de maio. Dois palestinos são assassinados a tiros por um policial israelense enquanto comemoravam a Nakba (Catástrofe, como os palestinos denominam a fundação de Israel) do lado de fora de uma prisão de Beitunia (Cisjordânia).

2 de junho. A Al Fatah e o Hamas combinam um gabinete integrado por técnicos.

5 de junho. Israel responde a notícia do Governo de unidade entre a Al Fatah e o Hamas com a construção de centenas de moradias em assentamentos.

12 de junho. Sequestro de três jovens israelenses nas imediações de uma colônia nos arredores de Hebron (Cisjordânia). Netanyahu acusa militantes do Hamas como responsáveis.

12 –29 de junho. Operação 'Voltem Irmãos'. Israel faz buscas na Cisjordânia para encontrar os jovens sequestrados e detém mais de 400 palestinos. Dois manifestantes morrem alvejados por disparos das Forças de Segurança de israelenses.

30 de junho. Encontrados os cadáveres dos três jovens israelenses nas imediações de Hebron.

1 de julho. Israel bombardeia Gaza.

3 de julho. Encontrado carbonizado um adolescente palestino desaparecido na véspera. Israel mobiliza tropas na fronteira com a faixa de Gaza.

6 de julho. Três israelenses confessam o assassinato do palestino. La autopsia mostra que foi queimado vivo.

7 de julho. O Hamas é acusado do lançamento de mais de 60 foguetes da faixa de Gaza em Israel. Começa a operação Fronteira Protetora.