Nicolas Sarkozy

A justiça fecha o cerco contra o ex-presidente francês Sarkozy

Seu advogado e o juiz que supostamente o informava de casos de corrupção são detidos

O ex-presidente Sarkozy chega à Assembleia Nacional em 25 de junho.
O ex-presidente Sarkozy chega à Assembleia Nacional em 25 de junho.

A justiça francesa não dá trégua ao ex-presidente da República Nicolas Sarkozy. Na madrugada de segunda-feira, e conforme informou logo cedo o jornal Le Monde, a polícia judiciária interrogou e prendeu o advogado do político, Thierry Herzog, e o juiz do Supremo Tribunal Gilbert Azibert. Ambos, segundo suspeita o escritório anticorrupção especializado em infrações financeiras e fiscais, poderiam fazer parte de uma rede de informantes que mantinham o antigo morador do Elísio a par dos escândalos de financiamento ilegal que agora o ameaçam.

As detenções ocorreram em função da investigação sobre tráfico de influência e violação do segredo de instrução nas mãos de dois juízes de Paris e não se descarta que o próprio Sarkozy seja convocado nos próximos dias pelo escritório antifraude de Nanterre para ser interrogado sobre o assunto.

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Sarkozy está envolvido em vários casos de corrupção. Um deles, o que diz respeito a Bernard Tapie, envolve também sua ex-ministra da Economia e agora diretora do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde. Trata-se de uma indenização estatal de 403 milhões de euros (equivalentes a cerca de 1,21 bilhões de reais) feita ao empresário francês na época da venda da Adidas. Outros dois casos estão relacionados ao financiamento da campanha do político para as eleições de 2007, que ele venceu contra Ségolène Royal. Segundo apontam as pesquisas da polícia, Sarkozy teria arrecadado dinheiro ilegalmente da herdeira do império L’Oreal, Lilianne Bettencourt, e o presidente líbio já falecido Muamar Kadafi.

As escutas telefônicas a que Sarkozy e seus assessores foram submetidos no outono passado revelaram essa rede de informações da qual o ex-presidente da República se valia para acompanhar os processos judiciais contra ele e, muito especialmente, o caso Bettencourt, investigado pelo Supremo Tribunal.

Essas escutas foram as que revelaram à polícia que Sarkozy utilizava um celular clandestino, em nome de Paul Bismuth, justamente para falar com seu advogado, Herzog. As pesquisas indicam que Herzog tinha linha direta com seu amigo, o juiz da vara Civil do Supremo, Gilbert Azibert, agora interrogado pelo escritório anticorrupção.

Esse novo passo da justiça contra Sarkozy acontece em um momento político especialmente delicado para a formação conservadora que antes era liderada pela UMP (União pelo Movimento Popular). Depois da demissão de Jean-François Copé da presidência do partido há apenas dois meses, por outro caso de suposto financiamento ilegal (desta vez para as eleições presidenciais de 2012, que Sarkozy perdeu para Hollande), a UMP está mergulhada em uma crise de liderança que deve se resolver no início do segundo semestre. O posto é disputado pelo ex-primeiro ministro de Sarkozy, François Fillon, seu ex-ministro das Relações Exteriores, Alain Juppé, e o próprio ex-presidente da República, animado, talvez, pela crise que atinge o Partido Socialista Francês e seu líder mais exposto, o presidente François Hollande, que registra uma baixa avaliação histórica nas pesquisas.