O protesto no Rio tem menos força e forte aparato policial

Um ato que marca o aniversário das manifestações de 2013 não consegue reunir os 300.000 manifestantes de um ano atrás

Protesto no Rio de Janeiro nesta sexta-feira.
Protesto no Rio de Janeiro nesta sexta-feira.STRINGER/BRAZIL (REUTERS)

As poderosas imagens de marés humanas inundando as principais capitais brasileiras, de norte a sul e de leste a oeste, ficaram para trás. No primeiro aniversário daquelas manifestações populares, na já icônica praça da Candelária, no centro do Rio de Janeiro, a mesma onde há um ano se concentraram, espontaneamente, mais de 300.000 pessoas para protestar contra os políticos, centenas de nostálgicos e dezenas de jovens radicais voltaram a entoar frases contra a FIFA e contra o Governo, sem que estas encontrassem muito eco. Desta vez, a imponente presença policial não deu espaço para aventuras violentas.

A mobilização, sem líderes, carente de slogan e sem um itinerário claro, representou uma melancólica recordação das multitudinárias manifestações de junho de 2013, quando numerosos setores sociais e profissionais se uniram para lançar um grito de insatisfação em uníssono. As chamas, na época acesas, parecem, hoje, estar diminuindo.

"Na época houve uma explosão. Eu participei dos protestos dos anos de 1960 contra o Governo militar, e o que aconteceu no ano passado me encheu de esperança. O movimento é muito mais frágil agora e está claro que, assim, não vamos conseguir mudar nada", disse no começo da manifestação o ativista sexagenário Federico Araujo. Já a estudante Julia Antunes confessa estar "muito triste por não ver mais tanta gente protestando como no ano passado. Antes era uma sensação maravilhosa, um golpe de esperança. Um sexto da população da cidade estava nas ruas, e, hoje, não resta nada”.

Os manifestantes caminharam rodeados por um potente cordão policial que, em alguns momentos, superou o número pessoas que participavam efetivamente da concentração. Era materialmente impossível que os poucos radicais presentes pudessem enfrentar qualquer aparato antidistúrbios semelhante. “A policia reprimiu as manifestações com tanta violência que muita gente agora tem medo de ir para as ruas protestar. De qualquer forma, ainda somos muitos os que lutamos pela igualdade no Brasil”, disse o manifestante Adolfo Tavares.

O comportamento dos agentes policiais mudou muito desde o ano passado. Agora se pratica a abordagem preventiva dos suspeitos de integrar grupos radicais. E a tolerância é nula. Na manifestação realizada no Rio, várias pessoas foram registradas antes de seu início e 11 foram detidas por possessão de máscaras ou por provocações de baixa intensidade aos agentes. Só um deles portava munição balística.

O grupo percorreu a avenida Rio Branco, artéria financeira da cidade, e terminou no boêmio bairro da Lapa, onde ocorreram momentos de tensão, mas que não resultaram na violência de outras ocasiões. Para a sorte dos governantes, os protestos já não reúnem um amplo setor da população, seja por cansaço ou porque a violência gratuita dos radicais e a resposta desproporcional da polícia acabaram expulsando das ruas as massas que melhor encarnaram o grito proclamado perante todo o planeta: “O gigante acordou”.

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