CRISE NA UCRÂNIA

O presidente ucraniano leva o seu plano de paz para o leste do país

Petro Poroshenko oferece anistia aos rebeldes pró-Rússia que depuserem as armas

Petro Poroshenko visita o leste separatista.
Petro Poroshenko visita o leste separatista.SERGEY BOBOK (AFP)

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, manteve a palavra que havia dado após sua eleição e realizou nesta sexta sua primeira viagem de trabalho na qualidade de chefe de Estado para a província de Donetsk, cenário do conflito armado com os separatistas pró-Rússia. Segundo informou a assessoria de imprensa da presidência em Kiev, Poroshenko se dirigiu ao “centro da operação antiterrorista”, aonde um comando militar lhe prestou contas sobre o fim da operação para defender a fronteira com a Rússia. O chefe de Estado ordenou um cessar fogo de uma semana para as unidades das Forças Armadas, a Guarda Nacional e o Serviço de Proteção da Fronteira. O cessar fogo, disse “não significa que não responderemos se nossos militares forem agredidos”. “Estamos dispostos a defender o território de nosso Estado”, acrescentou. Posteriormente, o presidente se reuniu com cidadãos na cidade de Sviatogorsk (na região de Donetsk) para quem explicou seu plano de paz para a zona.

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Antes, altos mandatários da política ucraniana haviam apresentado em Kiev o plano do presidente para abordar o conflito armado com os separatistas das regiões do leste do país. Integrado por 15 pontos, o documento contempla um cessar fogo, garantias de segurança para quem participar das negociações, libertação de reféns, anistia para quem depuser as armas e a criação de corredores na fronteira com a Rússia para que os separatistas possam abandonar a zona de conflito. Além disso, prevê a criação de um corredor desmilitarizado de dez quilômetros ao longo da fronteira entre Rússia e Ucrânia.

O documento foi apresentado aos representantes diplomáticos em Kiev pelo vice chefe da administração presidencial, Valeri Chali, acompanhado pelo novo ministro do Exterior, Pavel Klimkin, e o presidente do Conselho de Segurança, Valentin Nalivaichenko. O plano é resultado das conversações mantidas pelos representantes ucranianos e russos em Kiev sob os auspícios da Organização de Segurança e Cooperação Europeia (OSCE), que atuou como mediadora, representada pela veterana diplomata suíça Heidi Tagliavini. Na quinta à noite, pela segunda vez na semana, Poroshenko, conversou por telefone sobre o plano com seu colega russo, Vladimir Putin.

Os representantes ucranianos afirmaram que Poroshenko tratou do plano com 450 pessoas procedentes de diversos setores de Donbás (a bacia do Don, formada pelas províncias de Donetsk e Lugansk) ao longo de dois dias, disseram fontes contatadas por telefone em Kiev. Entre os interlocutores do chefe de Estado, entretanto, não estão os líderes dos separatistas, que constituíram as denominadas República Popular de Donetsk (RPD) e República Popular de Lugansk (RPL).

Em uma entrevista coletiva em Moscou, Denis Pushilin, que se apresentou como o chefe do Soviete Supremo (Parlamento) da RPD, rechaçou o plano de Poroshenko assegurando que este “diz muitas coisas publicamente, mas não faz nada” e que “não controla a situação”. “As declarações políticas de Poroshenko não são práticas”, disse o líder separatista, que afirma encontrar-se na capital russa desde 11 de junho. Dois ajudantes de Pushilin e seu guarda-costas morreram em atentados recentemente em Donetsk. O líder separatista disse que as declarações de Poroshenko são geralmente acompanhadas “de uma escalada de ataques” e insistiu que “se necessita de um contingente pacificador para assegurar um corredor pelo qual se possa mandar ajuda humanitária [na região]” e que a Rússia deve exercer o “papel de pacificadora”. Afirmou também que a Ucrânia impede a entrada de alimentos e medicamentos procedentes da Rússia em Donetsk e convidou a “não apressarem-se” em suas avaliações aqueles que opinam que Putin abandonou os separatistas do Leste da Ucrânia.

Perguntado sobre a origem das armas utilizadas pelos insurgentes, Pushilin afirmou que se tratam de “troféus”. Entretanto, em Kiev os altos funcionários da administração ucraniana disseram na sexta que um total de 10 tanques e 26 blindados russos haviam cruzado a fronteira durante a noite de quinta, disseram diplomatas da capital ucraniana. Os funcionários ucranianos se referem também aos esforços para fechar uma abertura de 90 quilômetros na fronteira com a Rússia pela região de Lugansk.