O Mundial reforça a agenda internacional de Dilma Rousseff

A presidenta recebeu a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, neste domingo Nesta terça, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, fará uma "visita de cortesia" à governante

Angela Merkel e Dilma Rousseff durante encontro neste domingo.
Angela Merkel e Dilma Rousseff durante encontro neste domingo.EVARISTO SA / AFP

As estreias das seleções na Copa do Mundo de 2014 agitaram a agenda política da presidenta Dilma Rousseff (PT). Neste domingo, a governante brasileira se reuniu com a chanceler alemã, Angela Merkel, e, na próxima terça-feira, ela terá um encontro com o vice-presidente norte-americano Joe Biden, o que pode representar o começo de uma reaproximação entre os dois países após as revelações de que o Governo dos Estados Unidos espionou o brasileiro, em agosto do ano passado.

Merkel chegou ao Brasil neste domingo para assistir ao jogo entre Alemanha e Portugal na Arena Fonte Nova, em Salvador, nordeste do Brasil. Em um jantar no Palácio da Alvorada, em Brasília, as duas governantes discutiram a ampliação do comércio bilateral e o aumento da segurança das informações eletrônicas. “Agradeço a participação da Alemanha na reunião multissetorial global sobre o futuro da governança na internet em São Paulo. Também avalio como sendo extremamente positiva a resolução, a proteção à privacidade na era digital, proposta pelo Brasil e pela Alemanha e aprovada no ano passado na Assembleia Geral da ONU”, destacou Rousseff, em uma coletiva de imprensa junto a Merkel logo após o encontro.

A chanceler reforçou a afirmação, dizendo que a cooperação entre os dois países pode ser continuada. “Ficamos muito contentes por termos iniciado na ONU as discussões sobre os direitos das pessoas na era digital”, destacou.

Merkel e Rousseff foram vítimas de espionagem por parte dos EUA, segundo informações reveladas no ano passado por Edward Snowden, ex-analista da Agência de Segurança Internacional (NSA). Desde então, as duas governantes têm discutido medidas que aumentem a segurança dos dados compartilhados na rede. Em um discurso na Assembleia-Geral da ONU, no final de setembro passado, Rousseff afirmou que a espionagem em massa dos EUA feria o direito internacional e os princípios que regem a relação entre os países. Ao lado de Merkel, ela apresentou uma proposta para garantir a privacidade e limitar a extensão da espionagem nas telecomunicações e na Internet, que foi aprovada em dezembro. O texto exige que as práticas de espionagem dos países não sejam contrárias à lei internacional de direitos humanos.

Após a divulgação da espionagem feita à Rousseff e a assessores da Petrobras, a mandatária brasileira cancelou uma visita oficial aos Estados Unidos, em que seria recebida pelo presidente Barack Obama, em outubro do ano passado. A medida, segundo disse ela à época, foi tomada por "falta de apuração" sobre as denúncias. Desde então, a relação entre os países arrefeceu. É nesse contexto que acontece a visita do vice-presidente norte-americano Joe Biden à Brasília nesta terça-feira. O político chega ao Brasil para assistir a partida entre os EUA e Gana na Arena das Dunas, em Natal, às 19h desta segunda, após um convite de Rousseff.

O encontro dos dois governos acontece às 9h30 da manhã seguinte. No entanto, a reunião oficial do vice-presidente norte-americano será com o vice-presidente Michel Temer. Depois, segundo a assessoria de Temer, haverá uma “visita de cortesia” à Rousseff e, por isso, não deve haver um pronunciamento da governante sobre o conteúdo da conversa.

O Governo brasileiro não divulgou o tema da reunião, mas, em uma entrevista ao jornal Folha de S.Paulo pouco antes da viagem, Biden afirmou que os Estados Unidos querem reconstruir a relação de confiança com o Brasil. “Reconhecemos que revelações não autorizadas sobre programas de inteligência dos Estados Unidos geraram preocupações em governos do mundo todo, incluindo o governo e o povo brasileiro”, afirmou ele ao jornal. “É por isso que em janeiro o presidente Obama fez um discurso anunciando importantes mudanças (...) Desde o anúncio do presidente, eu e a equipe de Segurança Nacional temos estado em contato com autoridades brasileiras para encontrar maneiras de aprofundar nossa cooperação e reconstruir a confiança de agora em diante.”

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