Conflito no Iraque

Os jihadistas do Iraque reivindicam o assassinato de 1.700 soldados iraquianos

O grupo radical publicou na Internet fotos de dezenas de corpos de prisioneiros O Exército, que começa a receber voluntários, anuncia a retomada de duas cidades

Membros do EIIL executam supostos soldados iraquianos na província de Saladino, em uma imagem publicada em um site jihadista.
Membros do EIIL executam supostos soldados iraquianos na província de Saladino, em uma imagem publicada em um site jihadista.

Os insurgentes do Exército Islâmico no Iraque e Levante (EIIL) se vangloriaram neste domingo de ter "executado" 1.700 membros das forças de segurança iraquianas. O anúncio, por meio de uma conta de Twitter já fechada, apoiava-se numa série de fotografias horripilantes que mostravam milicianos mascarados disparando contra dezenas de homens de mãos amarradas atrás das costas e rostos aterrorizados. Embora a magnitude do massacre seja difícil de confirmar, seu efeito propagandístico ofuscou o início da contra-ofensiva do Governo.

"Este é o destino que aguarda os xiitas que Nuri [al Maliki, primeiro-ministro iraquiano] trouxe para combater os sunitas", diz uma das legendas que acompanham as imagens. "Assim liquidamos os xiitas que fogem" ou "matamos os porcos xiitas às centenas", dizem outras.

As autoridades iraquianas e a ONG Human Rights Watch estão trabalhando para determinar se as imagens são autênticas. Por um lado, esse é o procedimento habitual do EIIL, que comete atrocidades para alimentar a luta sectária e as propagandeia para ganhar seguidores. Por outro lado, não há notícia de enterros em massa na província de Saladino, onde aparentemente ocorreram os assassinatos.

"Não duvido que sejam reais, mas 1.700 mortos é um número enorme", declarou ao The New York Times uma autoridade iraquiana anônima. O jornal também cita um de seus funcionários em Tikrit que ouviu falar do massacre e que os corpos foram jogados no rio Tigre.

Se confirmado, este seria o maior massacre cometido nos últimos anos na Síria e no Iraque, ainda maior que o ataque com armas químicas perpetrado pelo regime de Bashar al-Assad em agosto passado, em um subúrbio de Damasco, que deixou 1.400 mortos.

Com toda a região noroeste do Iraque fora do controle do Governo, os números de vítimas da violência são muito fragmentados. Ainda assim, a comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, denunciou na sexta-feira a ocorrência de "execuções sumárias e assassinatos extrajudiciais" durante a ofensiva jihadista. Disse ainda ter recebido informações sobre o assassinato de soldados iraquianos e pelo menos 17 civis em uma única rua de Mosul por militantes do EIIL. Pillay estima em "centenas" o número de mortos.

Enquanto isso, o Exército, com a moral reforçada pela chegada de centenas de voluntários, disse ter passado à contra-ofensiva. Um porta-voz em Bagdá anunciou que, nas últimas 24 horas, as tropas tinham retomado o controle de Azim (na província de Diyala) e Tel Afar (em Nínive), além de "matar 279 terroristas". No entanto, a segunda maior cidade do país, Mosul, bem como Tikrit, Fallujah e grandes áreas no noroeste do Iraque continuam nas mãos do EIIL.