Copa do Mundo 2014 | URUGUAI 1 x 3 COSTA RICA

A Costa Rica esmaga a mística celeste

Os ‘ticos’ castigam os erros defensivos de uma equipe uruguaia sem vibração e que sucumbiu no segundo tempo ao seu rival

Campbell celebra o seu gol, seguido pelos companheiros.
Campbell celebra o seu gol, seguido pelos companheiros.Alex Livesey / Getty

Liderada pela velocidade e pela potente canhota de Campbell, a Costa Rica passou por cima da história e da mística do Uruguai. Fez isso num segundo tempo em que se livrou dos complexos que havia demonstrado no primeiro tempo, quando chegou cheio de humildade, muito impressionada com a camisa que tinha pela frente. Quando foi atrevida, a seleção dirigida pelo colombiano Jorge Luis Pinto pôde construir a primeira grande zebra do campeonato. Ganhou porque foi mais ambiciosa quando percebeu que era superior.

Ao ataque, já sem manter uma defesa com cinco homens, dando mais liberdade aos seus dois laterais, a Costa Rica castigou todos os erros defensivos do Uruguai, que ficou sem capacidade de reação quando Campbell empatou. A torcida uruguaia, majoritária no estádio de Fortaleza, entoava cânticos que evocavam outros tempos gloriosos. Preponderava o “voltaremos, voltaremos, como em 1950”. A mística da Celeste reinava em um ambiente úmido e pegajoso, no qual se festejava um primeiro tempo cômodo e o gol, de pênalti, de Cavani. Não havia brilhado o Uruguai, mas tinha jogado com uma segurança que lhe fazia crer que poderia viver da sua vantagem e do contragolpe. Nada disso aconteceu. Viu-se superada por volume de jogo e dinamismo. A violenta patada do Maxi Pereira em Campbell refletiu a impotência dos orientais. Foi um chute selvagem, que lhe custou o cartão vermelho e pode ter sido a sua despedida da Copa.

Sem Luis Suárez, que Tabárez preferiu poupar desde o começo, Diego Forlán assumiu a titularidade junto a Cavani. Quatro anos depois, o físico já não permite a Forlán a mesma movimentação de quando liderou a campanha do quarto lugar na África do Sul. Mas conserva o excelente cabeceio e movimentos de macaco velho nas entrelinhas. Exibiu um repertório de lançamentos indiretos envenenados que faziam tremer Keylor Navas e toda sua defesa. Um deles, mal afastado, foi caçado por Cavani de canela. O seguinte, que seria rematado por Lugano, terminou em pênalti por puxão de Díaz. Cavani mandou a bola rente à trave esquerda de Keylor Navas, que tinha adivinhado a intenção.

Aí se acabou o Uruguai, que não voltou a dar sinais. Tabarez escolheu uma dupla de armadores, Gargano e Arévalo Rios, que prendem demais a bola para pouca criação oferecida. Tampouco Stuani na direita e Cebolla Rodríguez encontraram as condições mais ideais para explorar sua velocidade. Passaram muito tempo cuidando dos laterais costa-riquenhos. O Uruguai abusou do jogo direto e permitiu o crescimento dos ticos. Foi Campbell, com um par de corridas e uma bomba de canhota, quem roçou a esquadra de Muslera, o primeiro a acreditar e a cutucar as fragilidades uruguaias. E foi Campbell quem aproveitou um cruzamento da direita para empatar a partida. Nem Godín nem Lugano lhe fizeram sombra para impedir o arremate. O gol deu início a uma série de erros em cadeia que Duarte aproveitou pouco depois, no segundo pau, para arrematar de carrinho um tiro livre indireto. A festa propiciada pela defesa uruguaia foi aproveitada também por Ureña num passe nas costas de Godín, que terminou por esmagar essa mística celeste que só apareceu nas arquibancadas.