Um viajante leva o coronavírus da Arábia Saudita para os EUA

O índice de mortalidade da doença respiratória causada pelo vírus é de 30%

O coronavírus se manifestou em 16 países.
O coronavírus se manifestou em 16 países.

O coronavírus, originado na península Arábica, atravessou pela primeira vez o Atlântico. Um viajante da Arábia Saudita que desembarcou no estado de Indiana é o primeiro caso nos Estados Unidos, confirmado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) de Atlanta. Em princípio, trata-se de um caso isolado sem transmissão da infecção a nenhuma pessoa.

A reconstrução do caso deixa um rastro de possíveis regiões afetadas: em 24 de abril, o passageiro viajou de Riad a Londres, onde fez uma conexão para Chicago. De lá, pegou um ônibus até Indiana. No dia 27, começou a ter sintomas respiratórios: insuficiência, tosse e febre. Depois disso, dirigiu-se à emergência de um hospital em Indiana e, devido aos seus antecedentes — não há mais informações para preservar sua privacidade—, foi isolado e submetido ao teste do coronavírus. Até o dia 6 de maio, data do boletim mais recente do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC), o homem estava fora de perigo.

“É compreensível que algumas pessoas estejam preocupadas com a situação”, disse Anne Schultz, diretora do Centro Nacional para Doenças Infecciosas do CDC. “Mas este primeiro caso de infecção pelo MERS [Síndrome Respiratória do Oriente Médio, MERS na sigla em inglês] nos Estados Unidos representa um risco muito baixo para a população”.

Vítimas

Origem. O coronavírus foi detectado em 2012 na Arábia Saudita. É o país com mais casos tanto na contaminação a partir de um animal quanto entre pessoas. No mundo, foram registradas 495 pessoas infectadas, com 141 mortos.

  • Arábia Saudita. 411 casos, 115 mortes.
  • Emirados Árabes Unidos. 49 casos, 9 mortes.
  • Qatar. Sete casos, quatro mortes.
  • Jordânia. Seis casos, três mortes.
  • Omã. Duas mortes.
  • Kuwait. Três casos, uma morte.
  • Egito. Um caso.
  • Reino Unido. Quatro casos (três mortes).
  • Alemanha. Dois casos, uma morte.
  • França. Dois casos, uma morte.
  • EUA, Itália, Grécia e Filipinas. Um caso cada um.
  • Tunísia. Três casos, uma morte.
  • Malásia. Uma morte.

O novo coronavírus apareceu pela primeira vez na Arábia Saudita em 2012. Desde então, se manifestou em 16 países, com 495 pessoas infectadas e 141 mortes (28%), segundo o ECDC. Esta lista, no entanto, continua aumentando. Depois do anúncio das autoridades da Arábia Saudita de novos falecimentos no sábado passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) convocou uma reunião de urgência em Genebra para esta terça-feira. O índice de mortalidade da doença causada pelo vírus é de 30%.

Esta lista de países tem dois componentes claramente diferenciados: os casos locais e os importados. Entre os primeiros estão os da Arábia Saudita (411), Emirados Árabes Unidos (49), Qatar (7), Jordânia (6), Kuwait (3) e Omã (2). O ECDC inclui o Egito na lista, mas o homem infectado nesse país tinha uma história semelhante à do caso dos EUA: tratava-se de um viajante que havia chegado da Arábia Saudita.

Como sempre, nestes casos de um vírus novo há uma preocupação especial por sua evolução e acompanhamento. Neste sentido, conta com o antecedente da SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave), que desde o final de 2002 até julho de 2003 afetou mais de 8.000 pessoas em cerca de 30 países, com uma mortalidade global de 9,5%. Este número é só uma estimativa. Como em muitas doenças respiratórias, há casos leves que não são registrados. Por exemplo, em Hong Kong e Canadá, os dois territórios mais afetados, a mortalidade subiu para 18%. Aquele coronavírus desapareceu sem que se desenvolvesse uma vacina ou tratamento específico.

A situação é parecida no caso deste outro coronavírus: não há uma vacina nem um tratamento diferenciado. Além disso, para aumentar a preocupação internacional, em abril passado houve um aumento dos casos, segundo a OMS: cerca de 250 infectados de uma só vez, mais da metade do total desde 2012. Não há uma explicação para o fato, além de que exista mais vigilância, e é possível que os casos estejam sendo diagnosticados com mais precisão já que, de outra maneira, passariam por pneumonia ou outros tipos de gripe. Tampouco se sabe claramente sua origem, embora o The Lancet acredite que possam ser camelos, e na Arábia Saudita existe a recomendação de se evitar a proximidade com esses animais, sua carne e leite.

Do lado da tranquilidade estão dois fatores: o vírus dificilmente se espalha entre os humanos. A OMC apenas registrou dois casos de transmissão por terceiros. E a doença parece que perde agressividade ao passar de uma pessoa à outra.

As autoridades sanitárias mundiais esperam com inquietude o mês de julho. As peregrinações à Meca devido ao Ramadã podem significar um momento de risco para que o vírus, na volta, embarque nos aviões dos devotos.

Sopa de letrinhas de novas doenças

O século XXI trouxe uma sucessão de alertas mais ou menos locais devido às novas doenças. As gripes de origem animal (aviária ou suína) lideram a lista. Estes vírus são identificados pelas duas proteínas de seus invólucros (a hemaglutinina, H, e a neuraminidase, N).
  • H5N1. A primeira gripe aviária. Foi detectada em 2003, e causou, até o momento, 664 casos em seres humanos (confirmados em laboratórios), dos quais 391 morreram (uma mortalidade de 59%). Além disso, causou o sacrifício de milhares de aves domésticas. Tem sua origem e zona de influência no Sudeste Asiático, embora haja um pequeno foco no Egito (dois casos este ano). Foi o primeiro alerta diante da possibilidade de uma repetição de outras epidemias de gripe, como a espanhola de 1918, com milhões de mortos.
  • H1N1. Erroneamente chamada gripe A (as três deste artigo são desse tipo). Surgiu no México, no verão de 2009, e rapidamente se espalhou por todo o planeta. Agora forma parte da gripe sazonal, que aparece em cada inverno. A peculiaridade do vírus e a época na qual foi detectado criaram temores de uma epidemia mundial que acabou se produzindo apenas em extensão, mas não em gravidade, parecida com as gripes normais. Sua origem estava numa combinação de vírus aviário e suíno.
  • H7N9. Está atualmente na China, onde foram registrados mais de 220 casos desde o começo de 2013. Tem um índice de mortalidade estimado em 25%.