Empatar sem gols tem um prêmio

Apesar da sua ofensiva, o Barcelona não soube ganhar no campo do Elche, embora ainda tenha direito a um juízo final em seu estádio contra o Atlético

Messi cabeceia no jogo contra o Elche.
Messi cabeceia no jogo contra o Elche.Alberto Saiz / AP

O Barça vive da graça alheia, e quem sabe de Deus. Na quarta-feira, o favor do Real Madrid e agora a generosidade do Atlético, que não soube ganhar do Málaga. Os azul-grenás ganharam o direito de um juízo final no Camp Nou. A glória ou a miséria em uma partida, também em La Liga, como aconteceu na Copa, e de alguma maneira, na Liga dos Campeões. O Barcelona vai defender o título se, no domingo, ganha a última partida do campeonato contra o Atlético. Uma afirmação gananciosa o suficiente para esconder o empate por 0 a 0 com o Elche.

Manu Herrera foi mais decisivo que Messi. Não havia como o Barcelona fazer um gol e participar das mudanças de placares simultâneas da rodada. Foram protagonistas da partida, não precisaram estar às custas dos outros, contra um Elche que garantiu a permanência depois de um estupendo e irretocável exercício defensivo: 0 a 0, o mesmo resultado do torneio de 1977, vencido pelo Atlético.

Elche 0 x 0 Barcelona

Elche: Manu Herrera; Damián Suárez, Lombán, Pelegrín, Domingo Cisma; Carlos Sánchez, Javi Márquez (Rivera, min. 73), Rubén Pérez; Carles Gil (Boakye, min. 78), Corominas (Fidel, min. 89) e Rodrigues. Não utilizados: José Carlos, Mantecón, Edu Albacar e Cristian Herrera.

Barcelona: Pinto; Alves, Bartra, Mascherano, Adriano; Cesc (Xavi, min. 80), Busquets, Iniesta; Alexis, Messi e Pedro (Tello, min. 67). Não utilizados: Oier, Montoya, Afellay, Song e Sergi Roberto.

Árbitro: Fernando Teixeira Vitienes. Cántabro. Mostrou cartão amarelo para Pelegrín, Cisma, Alexis. Mascherano, Pedro e Rubén Pérez.

Estadio Martínez Valero, lotado com uns 35.000 torcedores.

O Barcelona não soube vencer. Muito dinâmico no meio-campo, sempre dominante, ágil e rápido nas tabelas, o Barcelona se perde, ultimamente, dentro das duas áreas: na adversária, por falta de profundidade e categoria, e às vezes na sua própria, pelas concessões da defesa e de Pinto. Com Xavi no banco, meio machucado, a equipe ganhou agressividade e determinação com Cesc, sempre presente nas transições e nas chegadas à frente, e melhorou suas prestações ofensivas com as constantes investidas de Alexis e a participação de Messi. Faltou um atacante que fizesse o gol.

O Barça jogou de maneira alegre e intensa desde a saída de bola, pressionando um adversário excelente na contenção, a segunda equipe que menos sofreu goleadas depois do Atlético, invicto em casa em 2014, bem protegido por seus três meias e pela organização do estrategista Escribá. Não custava nada aos barcelonistas encontrar-se com Messi. Em contrapartida, não encontravam a rede do Elche, muito bem defendida por Manu Herrera. Muitas vezes, o goleiro interveio, e em várias ocasiões, o chute lambia a trave ou era esquecido, como em um tiro de Iniesta. Apesar de terem criado chances suficientes para vencer, os azul-grenás não souberam abrir o placar, cegos diante da meta, sem sorte, contundência ou delicadeza, assim como sem inspiração, fineza e acerto que são necessários para coroar uma boa atuação como essa do Martínez Valero.

O Barça não conseguiu o gol, apesar de a sua criação de jogadas ter sido, às vezes, tão interessante quanto a defesa do Elche. Pedro e Messi não acertaram. Muito intervencionista e certeiro com o passe, o camisa 10 não funcionou, porém, como falso 9. Houve uma jogada que o traiu: Messi ficou sozinho à frente de Manu, em uma jogada duvidosa de impedimento, e chutou em cima do goleiro, depois de perder o tempo de bola e a mira do gol do Elche. A ação não teve nada a ver com os bons tempos de Messi. O futebol é mais lento desde que o camisa 10 não tem explosão, nem a mudança de ritmo e o brilho de quando ganhou a Bola de Ouro.

Com Messi derrotado, a equipe acelerou, manteve-se sem pausa no controle e se entregou a uma frenética troca de golpes, animado com o gol do Málaga. À roleta, somou-se Pinto, reprovável como goleiro e excelente como líbero, tão confortável com a bola aos pés que, em uma saída, foi capaz de driblar três jogadores do Elche. A roda das mudanças agitou a partida, condenada a um final dramático, condicionado pelas notícias que chegavam do Atlético, que não demorou para empatar com o Málaga.

Não houve jeito de colocar a bola na área de Herrera. Assim, o Barça recorreu a um tiro com efeito de Adriano, que não encontrou a meta por um dedo, da mesma maneira que um de Rodrigues escapou por pouco contra Pinto. Nem a entrada de Xavi deixou o Barcelona sereno, muito ansioso, pouco criativo e ambíguo, um reboque de acontecimentos que, para sua sorte, permitiram esse final: a possibilidade de ser campeão em casa depois de dois empates. Uma situação propícia para que se ative o barcelonismo como já aconteceu o referendo do Camp Nou. Se Messi se reencontrar com o gol e, agradecendo aos seus rivais, o Barça pode acabar campeão da Liga, por mais que não tenha estado à altura do Atlético.