Uma mulher que matou o estuprador de sua filha é presa na Espanha

O crime ocorreu em 2005, quando a filha de María del Carmen García tinha 13 anos Alegando transtornos mentais, seu advogado pediu a suspensão da pena, mas os tribunais não aceitaram

Mari Carmen Gacía na chegada ao tribunal de Elche.
Mari Carmen Gacía na chegada ao tribunal de Elche.JOAQUÍN DE HARO

María del Carmen García, a mãe que matou em 2005 em Benejúzar (na província espanhola de Alicante) o estuprador de sua filha, deu entrada nesta quinta-feira na prisão de Fontcalent. Seu advogado, Joaquín Galant, reconheceu que "era muito remota" a possibilidade de que prosperasse o recurso apresentado na sexta-feira para prorrogar a pena por 30 dias devido à "grave doença mental" que sua cliente sofre.

A condenada chegou cabisbaixa diante da pressão de vários meios de comunicação que queriam entrevistá-la na sua chegada ao tribunal de Elche: "Já não posso mais", manifestou, entre soluços e escapando das câmeras. Segundo seu advogado, ela estava preparada para ingressar na prisão e já tinha todas as suas coisas no carro.

Depois de abandonar o tribunal, Maria del Carmen, acompanhada por sua filha e seu advogado, se dirigiu ao centro penitenciário de Fontcalent. "Terminou meu calvário", disse antes de subir no carro, e se mostrou "bastante tranquila".

María del Carmen García foi condenada em julho de 2009 pela Audiência alicantina a 9 anos e meio de prisão por matar o estuprador de sua filha, embora, um ano depois, o Tribunal Supremo tenha reduzido a pena para até 5 anos e meio devido ao transtorno mental transitório sofrido por García.

María del Carmen García sofre, desde a violação de sua filha, ocorrida em 1998 quando a vítima tinha 13 anos, de um transtorno adaptativo incurável e, por isso, seu advogado solicitou na semana passada a suspensão da pena ao alegar que a sua prisão seria "sumariamente desestabilizadora" para "seu estado psíquico e físico por causa de sua grave doença mental".

No entanto, a Audiência Provincial ignorou o pedido e acordou que se proceda de "imediato cumprimento" a pena que lhe foi imposta.

Há dois dias, mais de vinte organizações sociais, sindicais, políticas e profissionais apresentaram uma nova petição de indulto para a mulher, que foi negada em duas ocasiões. Nos últimos meses apresentaram-se outras duas petições de indulto que também foram negadas.

O advogado, Joaquín Galant, não desiste e anunciou que pedirá ao juiz de vigilância penitenciária a suspensão da pena devido ao estado de saúde mental da mãe.