Agência tributária da Argentina fiscalizará torcedores no Mundial

O organismo vai controlar os gastos em voos, hotéis e entradas para que não superem os valores declarados

Torcedores argentinos.
Torcedores argentinos.

Os milhares de argentinos que cruzarão a fronteira para viajar ao Mundial do Brasil serão fiscalizados pela agência tributária de seu país. Pelo menos é o que vai acontecer aos que fizerem compras com cartões de débito ou crédito em passagens de avião, estadia de hotel ou entradas para as partidas. O anúncio foi feito na segunda-feira por Ricardo Echegaray, administrador federal de Rendas Públicas da Argentina.

Grupos de amigos organizaram suas viagens por avião, trailers e carro. Os torcedores barras bravas de diversos clubes também viajarão de carro. Nas ruas de Buenos Aires é possível ver anúncios de turismo do estado do Rio Grande do Sul, onde a seleção argentina jogará contra a Nigéria. Os argentinos são o quarto grupo de nacionalidades que mais compraram entradas para a Copa do Mundo de 2014, depois do Brasil, Estados Unidos e Colômbia. No entanto, espera-se que muitos argentinos viajem sem entradas e que alguns comprem de revendedores ou consigam por contato com as torcidas organizadas brasileiras.

A agência tributária da Argentina vai comparar os valores declarados pelos torcedores com os gastos com cartões na viagem ao Brasil, incluindo a compra de entradas em sites de revenda pela Internet. O administrador federal de Rendas Públicas disse que há argentinos que fizeram suas compras para o Mundial por valores que superam os montantes declarados. “Temos sistemas de informação de todos os tipos, inclusive com a Receita Federal do Brasil. Desde que cumpram [suas obrigações fiscais], que viajem e festejem como torcedores”, disse Echegaray.

A agência tributária da Argentina fez o anúncio no mesmo dia em que informou que 17 cidadãos haviam viajado a Las Vegas para assistir à disputa pelo título mundial de boxe de peso médio, apesar de não terem renda suficiente declarada. A viagem aos Estados Unidos custaria mais de 5.000 dólares (11.000 reais), somando todos os gastos, mas os 17 argentinos estariam registrados na Receita como autônomos em empresas de pequeno porte. Um deles tem um Porsche Carrera, avaliado em 150.000 dólares (330.000 reais), e outro havia viajado dez vezes ao exterior em 2013.