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Doze mortos por um desmoronamento em uma mina ilegal na Colômbia

Continuam as buscas por quatro mineiros soterrados no oeste do país

Desde o início do ano já morreram 43 mineiros, 30 deles em minas ilegais

Socorristas trabalham na zona do desastre.
Socorristas trabalham na zona do desastre. EFE

Sem descanso continuaram neste domingo os trabalhos de resgate em uma mina ilegal de ouro de Santo Antonio, no município de Santander de Quilichao, departamento de Cauca (oeste da Colômbia), onde na quarta-feira passada toneladas de terra e barro sepultaram pelo menos 16 mineiros artesanais, dos quais quatro ainda não foram encontrados, por isso a tragédia deixa até agora um saldo de 12 mortos cujos corpos já foram resgatados – três deles no mesmo dia do desmoronamento, oito no sábado e um neste domingo.

Foi tal o desespero dos familiares, que alguns deles pediram para participar da remoção de escombros que realizam mais de 70 bombeiros de dois departamentos, unidades de resgate do Exército, polícia, Defesa Civil e Cruz Vermelha, totalizando 400socorristas. Estes aproveitaram as retroescavadoras que se usam para a exploração de ouro na zona vizinha à margem do rio Quinamayó, que atravessa toda esta região no oeste da Colômbia.

Na longa espera, centenas de pessoas se amontoam na trilha montanhosa que dá acesso à mina ilegal de 100 metros de comprimento, com a esperança de que os que continuam sepultados possam estar com vida, uma possibilidade que parece remota, já que os corpos encontrados até agora estavam a uma profundidade de 20 metros.

Uma família perdeu dois filhos: nove crianças ficaram órfãs

Familiares dos desaparecidos reconheceram que, por pura necessidade, muitas pessoas da região que se dedicavam ao campo se aventuraram a trabalhar nesse tipo de minas, escavadas sem nenhuma medida de segurança às margens do rio. As retroescavadoras abrem os enormes buracos, formando ao lado deles montanhas de terra, e em seguida os improvisados mineiros, chamados barequeros, entram em busca do ouro. Até agora, ninguém informa quem são os donos dessas máquinas, que podem custar 150.000 dólares cada uma.

Uma das famílias afetadas pela tragédia é a Carabalí, que informou ter cinco desaparecidos, três homens e duas mulheres. “Cansei de implorar para que eles não fossem à mina de noite, porque era perigoso, mas foram teimosos e agora já não vou tê-los em casa”, relatou à imprensa local a mãe dos irmãos Joiner e Meller, de 36 e 39 anos. No total, nove meninos dessa família ficaram órfãos.

O desmoronamento reativou o debate em torno da falta de controle, por parte do Estado, da mineração clandestina, que na maior parte é controlada por grupos armados ilegais. Segundo informações da mídia local, estima-se que só na região do rio Quinamayó existam cerca de 50 minas a céu aberto sem nenhuma permissão de funcionamento. “Não podemos continuar chorando sobretragédias anunciadas”, disse este domingo o vice-presidente colombiano, Angelino Garzón, fazendo um chamado a que a erradicação desse tipo de minas seja coordenada entre o governo central, a polícia e os departamentos.

O prefeito de Santander de Quilichao explicou que no passado as autoridades tentaram fechar a mina de Santo Antonio confiscando a maquinaria, mas os mineiros não permitiram, já que esse trabalho é sua única fonte de renda. Isso, apesar de já terem ocorrido mais mortes em outras ocasiões – fala-se de quase 40 pessoas, cujos corpos continuam soterrados. O ministro de Minas, Amylkar Acosta, que não nega a responsabilidade do governo, disse que há “máfias que usam as pessoas humildes como escudos humanos para impedir as operações policiais”.

Estima-se que só nesta região da Colômbia, cerca de 2 mil pessoas extraiam ouro de maneira ilegal. Segundo uma reportagem do jornal El País, de Cali, diferentemente do que afirmam algumas autoridades locais, no sentido de que a guerrilha está por trás desse negócio ilícito, “o que dizem os camponeses é que há uma máfia organizada que muitos veem de forma positiva e até agradecem pela geração de emprego em sua área”. Entretanto, o dano ambiental é evidente e resta pouco das terras onde até recentemente se vivia da agricultura.

Segundo cifras oficiais, só este ano já foram registradas 43 mortes de mineiros, dos quais 30 trabalhavam em minas ilegais.