Ucrânia começa uma operação para retomar Slaviansk

Dois pilotos ucranianos morreram depois que seus helicópteros fossem abatidos

Um soldado ucraniano próximo a Slaviansk.AFP/ video: REUTERS-LIVE!

A impotência das autoridades interinas da Ucrânia para resolver a rebelião pró-Rússia no leste do país ficou novamente em evidência nesta sexta-feira, quando os "separatistas", como Kiev denomina os ativistas pró-russos, derrubaram dois helicópteros do Exército durante uma operação para recuperar Slaviansk, um reduto militar e bastião irredutível da rebelião do leste. Dois pilotos morreram no ataque, enquanto na periferia sul da cidade, onde os combates se concentraram, uma dezena de blindados do Exército tentavam desalojar os milicianos, que ainda controlam a maior parte da cidade de 130.000 habitantes. Kiev acusou Moscou de fornecer as armas que derrubaram as duas aeronaves; por outro lado, o Kremlin lamentou o "ataque criminoso" contra Slaviansk por dinamitar as poucas possibilidades de chegar a uma solução pacífica para o conflito.

Enquanto a situação em Slaviansk voltava a uma tensa normalidade depois de dez horas de conflitos, com os acessos das estradas bloqueados e os milicianos levantando novas barricadas com pneus e árvores cortadas, ativistas pró-russos tomaram a estação de trem de Yasinuvata, a 15 quilômetros ao norte da capital provincial, Donetsk, e cortaram a eletricidade e a comunicação por via férrea com o norte, em especial as linhas entre Slaviansk e sua comarca, uma densa aglomeração industrial. A meio-dia desta sexta-feira, apenas uma bandeira da autoproclamada República de Donetsk, alçada na entrada da estação, lembrava a ocupação, embora os avisos de megafones reforçavam que se tratava de uma situação excepcional. O entroncamento ferroviário é o primeiro centro de transportes tomado pelos pró-russos.

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A operação militar contra o reduto rebelde ocorre no meio de um feriado prolongado que já havia esvaziado as cidades e grande parte das estradas. No entanto, as forças especiais da polícia reforçaram a patrulha nas rodovias ao redor de Donetsk, com advertências explícitas a todos os veículos que não se dirijam a Slaviansk por causa da “situação de combate” naquela localidade. Do quilômetro 15 em direção ao norte, na altura de Yasinuvata, os postos de controle já estão nas mãos dos rebeldes armados com fuzis Kalashnikov, enquanto que a cidade de Gorlovka, totalmente controlada pelos rebeldes Milícias Populares do Donets, aguardava a chegada da operação punitiva lançada pelo Exército em Donetsk e, em particular, a captura iminente do líder militar da região, conhecido pelo nome de ‘Avert’, de acordo com fontes da rebelião contatadas no local.

Slaviansk se tornou o bastião da revolta pró-Rússia no sudeste da Ucrânia contra o Governo central de Kiev. Nesta cidade, seis observadores militares europeus e um intérprete continuam presos, acusados pelos separatistas de espionarem para a OTAN. O Ministério das Relações Exteriores russo advertiu na quinta-feira às autoridades de Kiev que se uma ofensiva fosse iniciada no sudeste da Ucrânia, poderia haver “consequências catastróficas”.

A reação de Moscou não demorou a chegar. O Kremlin descreveu a operação das forças ucranianas como um “ataque de represália” que descumpre os acordos de Genebra. “Ao utilizar a aviação para atacar localidades civis, o regime de Kiev promove uma retaliação que destrói a última esperança de que o acordo de Genebra seja viável”, disse Dmitri Peskov, porta-voz do presidente russo, Vladimir Putin.

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