crise na ucrânia

Os EUA incitam a Europa a reagir

Obama pede aos aliados europeus firmeza e unidade diante do desafio russo na Ucrânia O presidente acusa Moscou de incentivar a desestabilização do país

Grupos separatistas de Slaviansk libertaram a um dos oito observadores militares europeus retidos na zona, depois de comparecer em uma coletiva de imprensa. O libertado, um sueco, sofre diabetes.
Grupos separatistas de Slaviansk libertaram a um dos oito observadores militares europeus retidos na zona, depois de comparecer em uma coletiva de imprensa. O libertado, um sueco, sofre diabetes.sergei grits (ap)

Barack Obama acusou o Kremlin de não ter movido “um só dedo” para conseguir que os separatistas pró-Rússia na Ucrânia cumpram o acordo fechado em Genebra para diminuir uma tensão que situou as relações entre a Rússia e o Ocidente em seus níveis mais baixos desde o final da Guerra Fria. Ontem, o presidente norte-americano disse que era absolutamente necessário que os Estados Unidos e a União Europeia apresentassem uma mensagem de unidade para Moscou de que seus jogos de guerra devem acabar.

Com Washington e Bruxelas a ponto de impor novas sanções à Rússia –talvez nesta segunda-feira- o presidente dos Estados Unidos declarou da Malásia –durante a terceira etapa de seu giro asiático- que se estará “em uma posição mais firme para dissuadir Putin quando ele vir que o mundo está unido, que os Estados Unidos e a Europa estão unidos, e que este não é somente um conflito russo e norte-americano”.

Para Obama, Moscou não só ficou apática diante do acordo fechado no último dia 17 em Genebra, como que, em algumas ocasiões, se manifestou contra. “Há provas contundentes de que ficaram incentivando as atividades no leste e no sul da Ucrânia”, disse o presidente. O mandatário aproveitou uma nova ocasião para lembrar seu homólogo russo que está “ilhado” e que a chave do problema está em “respeitar a integridade territorial” da Ucrânia, ameaçada pelas milícias pró-Rússia.

A imposição de sanções à Rússia não é um tema resolvido, nem há consenso entre Washington e Bruxelas. No momento, os castigos que foram impostos e que estão previstos são contra pessoas em concreto e, em alguns casos, bancos que dão refúgio às atividades dos mesmos envolvidos. Mas não foram impostas sanções setoriais e na opinião de Obama isso somente poderá ser feito se existir “uma posição unificada de como proceder”.

As sanções propostas por Washington se concentraram principalmente nas exportações de alta tecnologia e na indústria de defesa russa, assim como em pessoas físicas e jurídicas próximas ao presidente Vladimir Putin, segundo declarou ontem o conselheiro adjunto de Segurança Nacional, Tony Blinken. Em uma entrevista à rede CBS, Blinken disse que as sanções impostas a Moscou depois da anexação da Crimeia no mês passado trouxeram danos à economia russa. “Já observamos um impacto significativo da pressão exercida sobre a Rússia nas últimas semanas. Seus mercados financeiros perderam cerca de 22% desde o início do ano e o rublo está em seu nível mais baixo”, assegurou.

Até o momento, Washington se encontra em uma linha mais dura de ataque que a Europa, que está em um espaço mais ambíguo e tímido, entre outras razões porque suas relações comerciais e laços econômicos com a Rússia são muito maiores do que os dos Estados Unidos e porque compra cerca de um quarto de seu gás natural em Moscou.

A grave crise internacional, que se vive desde a anexação russa da península da Crimeia, foi agravada nas últimas horas pela detenção de oito observadores militares europeus por milícias federalistas e separatistas pró-Rússia de Slaviansk, que Obama chamou de “capangas”. Os observadores detidos atuam sob proteção da Organização de Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), mas não são membros da mesma. As forças pró-Rússia dizem que são espiões.

Kiev foi mais agressivo em seu discurso no final da semana passada e assegurava que Moscou estava dando todos os passos que desembocariam em uma “terceira guerra mundial”. Kiev, respaldado pelo Ocidente, acusa o Kremlin de planejar a invasão do leste da Ucrânia e de preparar o terreno para o treinamento e o apoio de separatistas armados que ocuparam os arredores de uma dúzia de edifícios públicos na região.

Para tranquilizar os aliados da OTAN com fronteiras com a Rússia, Washington enviou 150 paraquedistas à Lituânia no sábado passado. Cerca de 600 soldados norte-americanos chegaram à Polônia e a vários Estados bálticos que pertenceram à extinta União Soviética.

“A agressão russa renovou nossa determinação de reforçar a aliança da OTAN”, disse o secretário de Defesa norte-americano, Chuck Hagel, há algumas semanas, quando o acordo de Genebra estava sendo formalizado. Washington manifestou ceticismo sobre o mesmo, algo que se confirmou logo depois. “Estas medidas não são direcionadas para provocar ou ameaçar a Rússia, mas para demonstrar que a OTAN continua dedicada a suas tarefas de defesa coletiva”, acrescentou Hagel.

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