crise ucraniana

A violência entre grupos armados no leste da Ucrânia dá um golpe no diálogo

Ao menos três mortes em um enfrentamento entre grupos armados em Slaviansk O incidente questiona o pacto firmado na quinta-feira em Genebra para solucionar a revolta

Um vizinho de Slaviansk chora diante de dois cadáveres depois do combate da madrugada do domingo em um posto de controle. (reuters_live)

Ao menos três pessoas morreram e outras várias ficaram feridas na madrugada deste domingo em um incidente registrado na cidade de Slaviansk, a 120 quilômetros ao norte de Donetsk. Segundo uma versão, endossada pelos setores pró-russos, várias pessoas armadas assaltaram um posto dos rebeldes federalistas e separatistas, agrupados na autoproclamada República Popular de Donetsk (RPD). Segundo outra fonte, apoiada pelo Ministério das Relações Interiores da Ucrânia, se teria produzido um confronto entre dois grupos armados. Slaviansk está ocupada por milícias da RPD que contam com reforços estrangeiros, entre eles cossacos procedentes da Crimeia.

O incidente, ocorrido por volta das duas da madrugada (horário local), indica quão frágil é o acordo dos responsáveis pela diplomacia da Ucrânia, Rússia, a UE e os Estados Unidos, assinado por eles mesmos na quinta-feira em Genebra. Os meios de comunicação russos falam de até cinco mortos.

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O prefeito “popular” de Slaviansk, Viacheslav Ponomariov, em uma mensagem lida para os correspondentes russos, pediu ao presidente Vladímir Putin que envie tropas pacificadoras à Ucrânia para defender os cidadãos de língua russa. Ponomariov disse: “Somos uma pequena cidade de províncias que tentam conquistar os fascistas e os imperialistas”. E agregou: “Peço que examine a questão de enviar um contingente de pacificadores ao território de Donetsk, Járkov e Lugansk para a defesa da população pacífica do ataque do Setor de Direitas e da Guarda Nacional da Ucrânia, que só trazem consigo a morte e querem nos converter em escravos”, segundo o site Newsru.com. Ponomariov declarou o toque de recolher para a noite do domingo.

Segundo a versão dos pró-russos, produziu-se um ataque de nacionalistas ucranianos pertencentes ao Setor de Direitas (SD). No entanto, pela boca de seu porta-voz, Artiom Skoropadski, o SD acusou os serviços especiais russos do incidente.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia manifestou sua “indignação” em um comunicado em que afirma que a “trégua da Páscoa foi transgredida” e que se tratava de uma “provocação” e uma amostra da falta de vontade das autoridades de Kiev na hora de controlar os nacionalistas.

O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia, por sua vez, lembrou à Rússia sobre as “obrigações” contraídas no acordo de Genebra para “influir nos separatistas para desalojar os edifícios ocupados ilegalmente, desbloquear as estradas, depor as armas e evitar o derramamento de sangue”. Citando fontes das milícias separatistas, a agência Reuters informava que quatro veículos tinham se aproximado de um posto de vigília e tomado o controle por volta das duas da madrugada e dispararam. O resultado foram três mortos e quatro feridos entre os que vigiavam o posto. O interlocutor da Reuters disse que os atacados respondiam e mataram dois dos invasores.

Os mortos são as primeiras vítimas desde o acordo de Genebra. A leste da Ucrânia se deslocou neste domingo um mediador da OSCE, o suíço Christian Schönenberg, cujo objetivo é conseguir desarmar os grupos pró-russos que ocupam diversas prefeituras e edifícios públicos na região. Em Donetsk a Administração Provincial seguia ocupada e, embora seus dirigentes sublinham que não têm armas, isto era contestado de maneira informal por fontes dos ativistas da RPD. Um deles disse a este correspondente que na invasão a uma unidade militar em Mariúpol durante a semana passada, estavam envolvidos 36 ativistas armados procedentes de Donetsk para ajudar os colegas locais, que de forma insensata foram invadir um quartel. No incidente houve pelo menos três mortos.

No edifício da Administração Provincial de Donetsk distribuíram as armas entre ativistas que assinam em um registro especial e que não podem tirá-las do local. Os milicianos armados têm o passe numerado com um zero, manifestou a fonte. Ao longo do perímetro das barricadas que rodeiam a Administração Provincial há depósitos de coquetéis molotov, situados a uma distância de três a quatro metros. As coberturas de automóveis que formam as barricadas foram encharcadas de gasolina para que queimem melhor, segundo disse a fonte.