Para defender a Petrobras, Dilma parte para o ataque

Após semanas como alvo de seguidas críticas de seus adversários, a presidenta avisa que não ficará calada diante da campanha negativa contra a estatal

Dilma Rousseff e operários batizam petroleiro nesta segunda.
Dilma Rousseff e operários batizam petroleiro nesta segunda.Roberto Stuckert / Presidência

A presidenta Dilma Rousseff fez nesta segunda-feira sua primeira grande defesa da Petrobras desde que a estatal passou a se tornar alvo de escândalos, há cerca de um mês. Em sua conta no Twitter, a ex-presidenta do conselho de administração da Petrobras (2003-2010) disse haver uma campanha com fins políticos para prejudicar a imagem da petrolífera, em pleno ano eleitoral no país.

"Não ouvirei calada a campanha negativa daqueles que, por proveito político, não hesitam em ferir a imagem da empresa", declarou. "Como presidenta, mas sobretudo como brasileira, eu defenderei em quaisquer circunstâncias e com todas as minhas forças a #Petrobras", completou Rousseff.

"Não podemos permitir, como brasileiros que amam e defendem esse país, que se utilizem ações individuais e pontuais, mesmo que graves (...) para tentar destruir a imagem de nossa maior empresa ou para tentar confundir quem trabalha a favor e quem trabalha contra a Petrobras", acrescentou.

Rousseff, que participou junto com a presidenta da estatal, Maria das Graças Silva Foster, da entrega de um navio petroleiro em Pernambuco nesta segunda-feira, afirmou também que a Petrobras possui o tamanho do Brasil, e que, portanto, é maior "que qualquer um" individualmente.

A governante reforçou ainda acreditar na capacidade da estatal, dos trabalhadores brasileiros e dos empresários, em meio à manipulação de dados e da distorção de análises daqueles que "desconhecem deliberadamente a realidade do mercado mundial de petróleo", segundo ela.

A estatal tem sido alvo de denúncias envolvendo irregularidades na compra da refinaria norte-americana de Pasadena, no Estado do Texas, em 2006. A aquisição, que recebeu o aval de Rousseff, acabaria custando mais de 1 bilhão de dólares aos cofres da Petrobras, ante os 42,5 milhões de dólares desembolsados pela belga Astra Oil um ano antes.

A Petrobras também tem sido criticada publicamente por gastos na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e por suposto pagamento de propinas a seus funcionários.

No discurso desta segunda em Pernambuco, Rousseff afirmou assumir o "compromisso" de "que o que tiver de ser apurado será apurado com o máximo de rigor" e que a estatal "jamais vai se confundir com qualquer malfeito, com corrupção ou qualquer ação indevida de quaisquer pessoas".

Nesta terça-feira, Graça Foster comparecerá ainda ao Senado para uma audiência, na qual deverá explicar aos parlamentares alguns detalhes da compra de Pasadena.

A oposição espera que a audiência reforce a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a estatal. O bloco aliado ao governo federal, por sua vez, torce para que a presença de Graça Foster ajude a esfriar esse objetivo, em meio às tentativas de se criar comissões de investigação de assuntos muito sensíveis à oposição.

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