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A província de Buenos Aires decreta emergência em segurança pública

O Governo da região com maior peso no país recupera 5.000 policiais aposentados

Argentina é o país com mais roubos da zona

Um policial ao lado de um carro queimado por vândalos.
Um policial ao lado de um carro queimado por vândalos. REUTERS

A um ano e meio das eleições presidenciais na Argentina, os anunciados ou eventuais candidatos a substituir a peronista Cristina Fernández de Kirchner introduziram a insegurança cidadã na temporã campanha eleitoral. A província de Buenos Aires, onde vivem mais de 15 milhões de pessoas, 39% dos argentinos, em um território mais extenso que o da Itália, decretou no sábado passado a emergência de segurança pública. Esta implica um plano de 22 medidas, que inclui a reincorporação obrigatória de 5.000 policiais aposentados a uma força de segurança provincial que já conta com 72.000 uniformizados. Essa foi a resposta do governador e candidato presidencial, o kirchnerista moderado Daniel Scioli, há duas semanas nas que dez ladrões foram linchados por vizinhos em diversas cidades da Argentina. Entre sábado e ontem os linchamentos subiram a 12.

Argentina é o terceiro país com menor taxa de homicídios por cada 100.000 habitantes da América Latina (5,5), por trás do Chile e Cuba, mas é o de maior índice de roubos. O Governo da capital já começou a convocar aos ex-policiais. Além disso, comprará para as forças de segurança 1.000 carros, 30.000 coletes à prova de balas e 10.000 armas e obrigará os 40.000 guardas de segurança privada a avisar os uniformizados sobre situações de risco. Também desenvolveu um aplicativo para celular que permite enviar uma mensagem de alerta à polícia, enviará um projeto de lei para limitar os habeas corpus de processados, outro para castigar com maior rigor a posse de armas sem autorização, insistirá na criação de polícias autárquicas, formará uma unidade de inteligência financeira contra o narcotráfico e proporá um debate sobre o regime penal juvenil, que hoje deixa de fora das prisões os menores de 16 anos.

Com um estilo mais conciliador que Fernández, o governador Scioli também convocou a oposição a buscar soluções conjuntas para a insegurança. Os opositores celebraram a abertura do diálogo, mas consideraram tardio o reconhecimento do problema.

O Governo comprará 1.000 carros, 30.000 coletes à prova de balas e 10.000 armas

Na última pesquisa difundida no final de março pelo portal de notícias Infobae, o deputado peronista opositor Sergio Massa, que ainda não se declarou candidato mas já está em campanha, lidera com 30,6%; seguido por Scioli, com 13,4%; o prefeito da cidade autônoma de Buenos Aires, o conservador Mauricio Macri, com 13,2%; o deputado socialista Hermes Binner, com 7,4%; e o kirchnerista mais puro e ministro do Interior e Transporte, Florencio Randazzo, com 6,2%.

O kirchnerismo puro criticou nesta segunda-feira o governador Scioli. O secretário de Prevenção de Drogas e Luta contra o Tráfico de Drogas, o padre Juan Carlos Molina, disse que no plano de Scioli faltam medidas preventivas, como investimento em centros educativos, esportivos e terapêuticos. O vice-governador de Buenos Aires, Gabriel Mariotto, também criticou “posições conjunturais que respondem a um interesse midiático”.

Na oposição, Massa foi quem a princípios do ano incorporou à agenda pública o projeto que o Governo e deputados radicais e conservadores desenhavam para reformar o Código Penal. Massa criticou por reduzir certas penas. Agora demanda mais ações que promessas a Scioli.

Macri, que deixou sua vida de empresário para se dedicar à política em 2003 e que também repudiou o projeto de Código Penal elaborado por um de seus deputados, disse que “a insegurança está fora do normal”.

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