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Os jovens da América Latina são os que pior resolvem problemas práticos

Brasil ficou em 38º lugar, entre 44 países em relatório PISA, que avalia habilidade criativa de estudantes. País é um dos que mais avançou no âmbito educativo desde 2003 na região

Eva Saiz
Capa do relatório PISA sobre Solução Criativa de Problemas.
Capa do relatório PISA sobre Solução Criativa de Problemas.

Qual é o caminho mais rápido entre uma série de mapas propostos para chegar a um destino determinado? Que tarifa é a mais barata combinando várias ofertas de transporte público? Como programar um termostato para encontrar a relação mais adequada entre temperatura e umidade? Por que um dispositivo eletrônico falha?

Dos 85.000 estudantes de 15 anos de 44 países que se submeteram a este tipo de provas práticas organizadas pela primeira vez pela OCDE, os da América Latina foram os que obtiveram piores resultados na hora de resolver. A Colômbia ocupou o último posto, Uruguai foi o 42º, Brasil, o 38º e Chile, o 36º, de acordo com a Prova PISA 2012: Solução Criativa de Problemas, um estudo que avalia as habilidades e aptidões dos jovens na hora de enfrentar as dificuldades da vida cotidiana.

Este relatório pretende averiguar se os estudantes estão adquirindo as habilidades e os conhecimentos necessários para enfrentar o futuro. “Os jovens de 15 anos que hoje carecem de aptidões para resolver problemas se tornarão adultos com dificuldades para encontrar ou manter um bom trabalho”, assinalou Andreas Schleicher, responsável por Educação e Atitudes da OCDE. Os alunos da América Latina estão muito por trás de seus colegas de Cingapura ou Coreia do Sul, os que já tinham obtido os resultados mais altos.

De acordo com o estudo, só um de cada cinco estudantes foi capaz de resolver problemas simples em meios que são familiares a eles. Neste contexto, os estudantes latino-americanos são capazes de decidir um caminho entre vários itinerários que já aparecem estabelecidos, mas teriam dificuldades para o encontrar em circunstâncias que os obriguem a abstrair opções ou nas que surjam complicações imprevistas.

Os resultados divulgados nesta terça-feira voltam a situar a América Latina na fila dos controles de avaliação de estudantes, como já aconteceu no ano passado com as provas PISA sobre educação. Nesse relatório, os estados do hemisfério, encabeçados por Peru, ocupavam os últimos lugares em compreensão de leitura e conhecimentos científicos e matemáticos. -No que se publicou nesta terça-feira só participaram os países que quiseram ser submetidos voluntariamente às provas-.

No entanto, a OCDE não associa as dificuldades nessas áreas com a resolução de problemas cotidianos. “Os estudantes com bons resultados em matemáticas, leitura e ciência costumam ser os que mostram um melhor desempenho à hora de se enfrentar a situações não familiares e em contextos alheios ao escolar”, reconhece o relatório que, no entanto, adverte que isto não pode ser considerado um padrão e cita exemplos como o do Brasil, Reino Unido ou Estados Unidos onde “os estudantes se desenvolvem melhor na resolução de problemas práticos que em outros países com o mesmo nível em conhecimentos matemáticos, de leitura ou de ciência”.

Embora muito por baixo da média da OCDE, o Chile continua sendo o país da América Latina com melhores resultados tanto em resolução de problemas cotidianos como em compreensão de leitura, matemática e ciência. Os relatórios PISA também destacou o Brasil como um dos países da região que mais avançou no âmbito educativo desde 2003 e que melhor pontuação obteve neste último teste. “Comparados com outros estudantes de similar formação acadêmica, os estudantes do Brasil e dos Estados Unidos são os que melhor se desenvolvem naqueles inconvenientes e dificuldades que requerem explorar caminhos novos e fazer uso da experiência acumulada nessa busca”, indica o texto.

O relatório sugere que nos países, como os da América Latina, com níveis muito baixos na hora de abordar de maneira rápida e direta problemas cotidianos, suas escolas deveriam concentrar maiores esforços em desenvolver um currículo que permita aos estudantes promover aptidões de caráter prático.

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