Jordânia levanta um novo campo gigante de refugiados

Azraq poderá acolher até 130.000 refugiados da guerra da Síria a partir de abril

Uma criança síria refugiada no campo de Zaatari, em Jordânia.
Uma criança síria refugiada no campo de Zaatari, em Jordânia.Mohammad Hannon (AP)

Diz uma jordaniana que conhece bem o país e a chegada de refugiados sírios: “O novo campo estará no meio do deserto, é onde decidiu o Governo, mas é que a Jordânia é assim, só é mais úmido junto ao vale do Jordão”. Entramos com uma equipe de Unicef em Mafraq, localidade jordaniana no norte do país onde se levanta o campo de refugiados de Zaatari, a uns 15 quilômetros da fronteira com Síria. Saltam as cifras de um dia a outro, mas esta cidade improvisada de refugiados da guerra síria aloja hoje a ao redor de 93.000 pessoas. Está no limite há mais de um ano. Por isso, o Governo jordaniano, com a ajuda da ONU, levantou o novo campo de Azraq, a 100 quilômetros da capital, Ammán, no leste do país. Abrirá suas portas no dia 30 de abril.

A terra jordaniana é árida, seus recursos aquíferos limitados. A economia também já não pode absorver a presença de cerca de 585.000 sírios chegados pela fronteira norte e repartidos entre os campos de refugiados, onde sobrevivem 20%, e as cidades, nas que tratam de sair adiante os 80% restantes. Alguns vão diretamente para a casa de seus familiares em Ammán, Mafraq, Zarqa... Outros se lançam à aventura e fogem sem demora das lojas de Zaatari ante a massificação. Mas para muitos não há opção: vivem embaixo das lonas com selo da ONU, esperam a ração de comida e água, abrem seus comércios, mesquitas, jogam nos campos de futebol, levam às crianças à escola…

Fuente: ACNUR
Fuente: ACNUREL PAÍS

A diáspora síria precisa um novo enclave. E mais agora que o bom tempo multiplicou a chegada de refugiados a uma média de 600 ao dia. Se até agora, Zaatari era o segundo maior campo de refugiados do mundo, depois do levantado em Dadaab, no Quênia (450.000 habitantes), o de Azraq, com capacidade para 130.000 pessoas, superará a marca se chegar ao seu topo. A primeira etapa foi desenhada para dar refúgio a 13.000 refugiados. O Governo, empresas e agências humanitárias levantaram até hoje 2.500 lojas, 2.000 pontos de saneamento para 30.000 pessoas, dois colégios, pátios de recreio, dois centros de saúde e 103 quilômetros de estrada para cobrir 447.000 metros quadrados.

Azraq está organizado para receber 2.000 novos refugiados ao dia. Os novos são o objetivo, mas não só. O campo foi pensado também para servir de ponto de reunião a muitas famílias divididas pelo território. A pressão demográfica é grande: a demanda de água, que provocou conflitos entre locais e refugiados, fez saltar os alarmes com o olho posto no verão; o rio Jordão viu reduzido seu volume; os preços de aluguéis e produtos básicos aumentaram, e o orçamento do Estado sofreu um forte rombo. O Ministério de Finanças jordaniano calcula que entre 2013 e 2014, o custo de alojar os fugidos da guerra síria alcançará ao todo os 5 bilhões de dólares (11,6 bilhões de reais).