George Soros pede um Plano Marshall europeu para a Ucrânia

O bilionário reclama que Europa escolha a ajuda financeira e tecnológica a Kiev no lugar das sanções à Rússia

George Soros, no Fórum Econômico Mundial de Davos de janeiro passado.
George Soros, no Fórum Econômico Mundial de Davos de janeiro passado.Chris Ratcliffe (Bloomberg)

O bilionário George Soros reclamou nesta quarta-feira em Londres que a Europa eleja a via da ajuda financeira e tecnológica para a Ucrânia no lugar das sanções à Rússia como via de saída à crise ucraniana. O especulador financeiro e filantropo acredita que essa crise deveria convidar a União Europeia a voltar às suas origens e superar as atuais tensões que podem acabar levando ao seu desaparecimento.

“Os acontecimentos da Ucrânia são uma chamada de atenção para se enfrentar assuntos como esse”, a ameaça do fracasso da UE, declarou em uma coletiva de imprensa na qual apresentou seu novo livro, "A Tragédia da União Europeia", no qual apresenta suas reflexões em forma de entrevista com o jornalista alemão Peter Gregor Schmitz.

“Os ucranianos nos deram provas de que estão dispostos a sacrificar suas vidas para estar mais perto da Europa, que está, por sua vez, em um processo de desintegração”, declarou. “A Europa enfrenta agora essa questão. Vai responder à anexação da Crimeia com base nos interesses da cada um ou vai atuar de forma unida, representando os interesses da UE e como a comunidade de Governos à qual os ucranianos estão desesperados por pertencer: o império da lei, os direitos humanos, e tudo isso? Espero que a Europa responda redescobrindo suas origens”, refletiu.

E acrescentou: “É muito importante que a UE responda e que responda da maneira adequada. Não necessariamente impondo multas à Rússia senão ajudando a Ucrânia financeiramente e em questões técnicas. Algo parecido a um Plano Marshall europeu para a Ucrânia. Essa seria a resposta adequada”.

“A Europa não estava de forma alguma preparada para essa crise”, opinou Soros, que nasceu na Hungria em 1930, sobreviveu à ocupação nazista e emigrou para a Inglaterra em 1947 e mais tarde para os Estados Unidos. “Putin não teve nenhum problema para ganhar a partida contra a Europa. E a Europa, como é habitual sob a liderança alemã, pedia muito e oferecia muito pouco aos ucranianos. E não foi muito difícil a Putin apresentar uma oferta melhor. O que Putin não calculou bem é a resposta dos ucranianos. Não pôde compreender e não esperava que uma nação tivesse uma reação espontânea porque ele acha que é um país que pode ser manipulado e que, portanto, será manipulado. Mas o que houve foi uma reação espontânea e unânime do povo. É um momento crucial para a Ucrânia porque estabeleceu sua identidade como um país que quer pertencer à Europa”, concluiu.

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