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Cristina de Kirchner denuncia uma tentativa de “golpe suave” na Venezuela

A presidenta da Argentina assegura que não defende Nicolás Maduro e, sim, a “democracia”

Francisco Peregil
A presidenta Cristina Fernandez de Kirchner ao chegar na abertura do ano legislativo da Argentina, neste sábado.
A presidenta Cristina Fernandez de Kirchner ao chegar na abertura do ano legislativo da Argentina, neste sábado.MARCOS BRINDICCI (REUTERS)

A presidenta da Argentina fez um pronunciamento neste sábado contra o que chamou de uma “tentativa inesperadamente suave” de golpe na Venezuela. Cristina Fernández de Kirchner  aproveitou seu discurso de abertura do ano legislativo na Argentina para atacar os protestos iniciados pela oposição venezuelana há três semanas. “Não posso deixar de me referir a um tema vital para a região: a tentativa inesperadamente suave contra a República Bolivariana da Venezuela. Não venho aqui defender o presidente Nicolás Maduro, venho defender ao sistema democrático de um país, como fizemos na Bolívia, no Equador e o faremos em qualquer país da região, sejam eles de esquerda, de direita, do meio ou do fundo”, assinalou.

Nesse inflamado elogio da democracia, não houve nenhuma menção ao dirigente opositor venezuelano Leopoldo López, que se encontra preso na Venezuela desde o dia 18 de fevereiro, quando decidiu se entregar a uma justiça que considera injusta e corrupta e que acusa de ser o autor intelectual das mortes ocorridas depois dos protestos da oposição.

Cristina de Kirchner lançou um elogio ao principal partido da oposição, a Unión Cívica Radical (UCR), antes de reconhecer: “Nós os peronistas não dávamos historicamente tanto valor à democracia. Falávamos da democracia burguesa e tantas coisas… Mas aprendemos com o sangue que a democracia é uma questão de paz e de vida e essa é uma tradição que devemos agradecer à UCR”.

Depois de assumir esse lastro ideológico, Kirchner elogiou o regime democrático venezuelano e atacou fatores externos a América Latina que não mencionou, mas aos quais atestou a responsabilidade da suposta tentativa inesperadamente suave. “houve -na Venezuela- 19 eleições em 14 anos; em 18, a situação saiu vitoriosa e, em uma, perdeu. Seria fatal para a região, para a integração que conseguimos, permitir que ventos alheios desmoronem um país. Por isso, independentemente das ideias, devemos defender a democracia”.

O discurso de abertura do ano legislativo é o de maior importância na Argentina. A chefe de Estado costuma percorrer todo o gerenciamento de seu Governo e os quatro anos do de seu marido, Néstor Kirchner, (2003-2007) e depois aborda os planos para o curso legislativo que começa a cada primeiro de março. Em 1 de março de 2013, ela conseguiu falar durante três horas e quarenta minutos sem pronunciar a palavra inflação, questão chave da economia argentina. E, neste ano, ao longo de duas horas e cinquenta minutos, também não explicou com que plano conta o Governo para frear uma inflação em torno de 30% que na América Latina só é superada pela da Venezuela.

Em termos gerais, o discurso foi conciliador tanto com a oposição como com os sindicatos. A presidenta evitou o confronto, os ataques diretos contra os sindicalistas, empresários e opositores, que empregou em outros discursos.

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