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Yanukovich recebe asilo na Rússia

Moscou garante a segurança do presidente deposto da Ucrânia e prepara uma lei para simplificar a cidadania russa a ucranianos

Confrontos entre ativistas pró-Europa e pró-Rússia na Crimeia. REUTERS-LIVE!

Victor Yanukovich está na Rússia, país que garantiu sua segurança pessoal, como havia pedido o ex-presidente da Ucrânia. O mandatário deposto, que desapareceu de Kiev depois de acertar um pacto com a oposição, fugiu do país mas continua sendo considerado o chefe de Estado legítimo da Ucrânia.

“Eu e meus correligionários recebemos ameaças de morte. Por isso, me vejo obrigado a pedir às autoridades da Federação Russa que protejam minha segurança pessoal contra os extremistas”, disse Yanukovich em um comunicado divulgado por meio de agências de notícias russas. No momento se desconhece o paradeiro exato do ex-presidente ucraniano, embora segundo algumas fontes ele estaria nos arredores de Moscou.

O pedido de Yanukovich foi atendido “no território da Federação Russa”, disse uma fonte governamental às agências que publicaram o comunicado do presidente deposto.

“Continuo considerando-me o chefe legítimo do Estado ucraniano, eleito de acordo com a livre vontade dos cidadãos ucranianos”, afirma Yanukovich no comunicado, acrescentando que não pode “permanecer indiferente diante dos trágicos acontecimentos” que acontecem em sua pátria.

Para Yanukovich, as leis que estão sendo aprovadas na Rada Suprema “com a ausência dos parlamentares do Partido e das Regiões de outros grupos” são ilegítimas. “Estou convencido que nestas condições em breve ficará clara a ineficácia de todas as resoluções que foram tomadas e não serão cumpridas”, avalia Yanukovich.

“Nesta situação, declaro oficialmente minha decisão de lutar até o final para o cumprimento dos importantes compromissos assumidos para que a Ucrânia saia de sua profunda crise política. Faço um apelo para que os marcos constitucionais de nosso país voltem imediatamente”, afirma Yanukovich no comunicado.

Para o presidente deposto, “agora é evidente que o povo no sudeste da Ucrânia e na Crimeia não tolera o vazio de poder” e a anarquia no país onde “os dirigentes dos ministérios são eleitos pela multidão na praça”. Yanukovich afirmou que como “atual presidente” não permitiu que o exército interviesse nos acontecimentos políticos internos. “Volto a dar as mesmas ordens. Se alguém der ordens para o exército nesse sentido [...], essas ordens serão ilegítimas e criminosas”.

Nesta quinta-feira pela manhã, grupos armados controlaram vários edifícios oficiais na Crimeia, em mais um indício da tensão crescente entre as comunidades de idioma russo e ucraniano.

Enquanto isto, na Duma estatal um novo projeto de lei está sendo preparado para simplificar o processo de obtenção da cidadania russa para os ucranianos e falantes do idioma russo de outros países da extinta União Soviética. Alexander Zhukov, vice-presidente da Câmara dos Deputados, e representante do partido governamental Rússia Unida, confirmou nesta quinta-feira que a administração presidencial, o Governo e o partido Rússia Unida estão trabalhando em um projeto de lei comum neste sentido, com a colaboração de outros grupos parlamentares. A nova lei, afirmou Zhukov, vai permitir a adoção da cidadania russa de forma mais simples, não apenas para os ucranianos, mas também para os habitantes de outros países da Comunidade de Estados Independentes.