Um debate para reforçar a UE

O Instituto Berggruen estimula a reflexão sobre o futuro do projeto europeu com um fórum do qual participarão os primeiros-ministros da Espanha e de Portugal

Frágeis sintomas de melhoria sugerem que a Europa está deixando para trás o coma econômico que prostrou boa parte do continente durante meia década. O avanço, entretanto, é ainda insuficiente para sanar as feridas infligidas às sociedades europeias pela crise e pelas políticas adotadas para contê-la. Amplas camadas da população do continente decaíram para a pobreza, golpeadas pelo desemprego e pelos cortes nos serviços públicos. O estendido mal estar social dá asas a movimentos populistas, instintos xenófobos, ceticismo com o projeto europeu, aborrecimento com os partidos tradicionalmente no poder e um ressentimento que cresce na opinião pública dos países membros.

Mesmo assim, a atual fase de estabilização da crise econômica oferece uma oportunidade para superar as políticas de emergência e traçar com maior serenidade um itinerário de reformas. A realização de eleições europeias — em maio próximo — e a subsequente mudança de dirigentes que ocorrerá nas instituições da União Europeia reforçam essa oportunidade. Com vistas a essa mudança de ciclo, o Instituto Berggruen para a Governança organizou em Madri uma conferência sobre o futuro da Europa.

No ato, que acontecerá nesta quinta e sexta-feira, devem participar, entre outros, os chefes de Governo da Espanha, Mariano Rajoy, e de Portugal, Pedro Passos Coelho, além de Mario Monti e Enrico Letta, ex-primeiros-ministros da Itália; Felipe González, ex-presidente de Governo (primeiro-ministro) da Espanha; Michel Barnier, comissário (ministro) da União Europeia; Luis de Guindos, ministro espanhol da Economia; e Alfredo Pérez Rubalcaba, líder do PSOE.

A conferência, promovida no âmbito do Conselho para o Futuro da Europa, do Instituto Berggruen, e para cuja organização o PRISA – companhia editora do EL PAÍS – colaborou estreitamente, analisará em diversas mesas redondas os desafios do populismo, a imigração e o desemprego juvenil. O programa também dedicará uma sessão à competitividade europeia, na qual está prevista a participação de César Alierta, presidente-executivo da Telefónica, e Pablo Isla, presidente da Inditex.

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