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Telefónica justifica a reorganização pelos cortes de gastos e simplificação

O grupo cria uma diretoria comercial digital para rentabilizar a área

A remodelagem volta a dar o poder aos países baixos, sob o controle centralizado de Pallete

O stand da Telefónica no MWC 2014, em Barcelona.
O stand da Telefónica no MWC 2014, em Barcelona. Bloomberg

O conselho de administração do grupo Telefónica aprovou nesta quarta-feira uma reorganização total da companhia. Desaparece o setor Digital, bem como as filiais de Europa e América Latina e volta o modelo centralizado no qual as operadoras dos países mais fortes (Espanha, Brasil, Alemanha e Reino Unido) falarão diretamente com o diretor executivo, José María Álvarez-Pallete. A companhia justificou o novo organograma pela necessidade de poupar custos, aumentar os rendimentos e simplificar a estrutura para atender as necessidades dos clientes da cada um dos países.

Com esta remodelagem, adiantada pelo EL PAÍS, Alierta dá uma volta na reorganização que fez em 2011, e que supôs a criação dessas três grandes áreas: Digital, Europa e América Latina. Os responsáveis pelas mesmas -Matthew Key, Eva Castillo e Santiago Fernández Valbuena- ficam na companhia mas sem nenhum poder executivo. Desaparecem as sedes de São Paulo e Londres e Telefónica da Espanha volta a ter uma presença independente.

A ruptura é contundente na área Digital, cujo funcionamento autônomo não se traduziu em rentabilidades palpáveis. Criada há três anos com muito alvoroço, com sede em Londres e uma equipe de 2.500 funcionários, seu desenvolvimento envolveu muitos fracassos ao tentar rentabilizar startups, como a israelense Jajah, sua filial de chamadas de voz pela internet, que fechou em janeiro depois de pagar 145 milhões de euros por ela (465 milhões de reais). Também não conseguiu benefícios financeiros de Tuenti, uma rede social espanhola para adolescentes comprada por 80 milhões, e que teve que ser convertida em um operador móvel virtual, com grandes perdas. Seus projetos de I+D também não tiveram sucesso entre os usuários. Como TuMe, um serviço de mensagens instantâneas criado para competir com WhatsApp, que mal durou um ano.

Para substituir essa divisão, Telefónica cria a figura do diretor geral Comercial-Digital, que sesrá Eduardo Navarro, um dos executivos que sai mais forte e que “terá como responsabilidade propiciar o crescimento dos rendimentos”, segundo indicou Telefónica em sua nota.

Sobre os custos, a companhia reforça a figura do diretor geral de Recursos Globais, com o comando de Guillermo Ansaldo, para conseguir, sem contar as sinergias de Alemanha, economizar até 1,5 bilhões de euros (4,8 bilhões de reais) nos próximos anos. Ambas as direções-gerais deverão prestar contas diretamente ao diretor executivo, bem como as operadoras locais; Espanha, Brasil, Alemanha e Reino Unido, além da unidade América Latina, agora sem o Brasil.

A ruptura é contundente na área Digital, cujo funcionamento autônomo não se traduziu em rentabilidades palpáveis

O presidente da Telefónica, César Alierta, indicou que a companhia se centrará em quatro pilares. Os dois primeiros são o acréscimo dos rendimentos, mediante a ampliação da oferta comercial a novos serviços do mundo digital e a modernização das redes, com a intensificação nos lançamentos de fibra ótica e 4G. E os outros dois têm a ver com o mundo digital: eficiência, através da simplificação e a redução de custos e a manutenção da disciplina financeira, “com priorização do investimento em projetos de crescimento que gerem mais valor” e o “impulso de um novo posicionamento público que permita restabelecer o equilíbrio na corrente de valor do setor”.

A companhia explicou que com o novo organograma “a oferta digital se incorpora no foco das políticas comerciais”. “O esquema dá mais visibilidade às operadoras locais, as aproximando do centro de decisão corporativo, simplifica o organograma global e reforça as áreas transversais para melhorar a flexibilidade e a agilidade nas decisões” precisou em uma nota respondida à Comissão Nacional do Mercado de Valores da Espanha.

O novo modelo integra as atividades desenvolvidas até agora por Telefónica Digital, Telefónica Europa e Telefónica Latam no Centro Corporativo Global, simplificando assim a organização. No comando da Espanha continua Luis Miguel Gilpérez, Paulo César no Brasil, Eduardo Cari no resto da América Latina, Ronan Dunne no Reino Unido e o da Alemanha ainda será designado.

Eva Castillo continua conselheira enquanto Key permanece no conselho da Telefónica O2 UK. Fernández Valbuena, também conselheiro da Telefónica, assume o cargo de diretor geral de Estratégia, antes ocupado por Navarro.

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