Telefónica vai recorrer de exigências do Cade pelo conflito com a Telecom Italia

Cesar Alierta e Julio Linares renunciaram aos cargos de conselheiros na empresa italiana, para evitar ruídos na relação entre as operadorasTIM e a Vivo, que concorrem no Brasil

O presidente de Telefônica, César Alierta.
O presidente de Telefônica, César Alierta.

A Telefónica acredita que os obstáculos que o órgão brasileiro que regula a concorrência no país, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), impõe a seu crescimento na Telecom Italia, não "são razoáveis", e anunciou que estuda ações legais contra as exigências. A empresa italiana é sua concorrente no Brasil, por meio da operadora móvel TIM. Mas, apesar de optar não renunciar a sua operação, a empresa espanhola decidiu adotar medidas para adaptar-se ao Brasil. "Com o fim de reforçar nosso firme compromisso com as obrigações previamente assumidas pela Telefónica de se manter à margem dos negócios da Telecom Italia no Brasil, dom César Alierta Izuel e dom Julio Linares López decidiram renunciar, com efeito imediato, a seus postos de conselheiros da Telecom Italia", afirma a companhia em um comunicado, no qual acrescenta que não exercerá seu direito de nomear dois conselheiros para os lugares do presidente e vice-presidente da espanhola Telefónica.

O Brasil está preocupado pelos problemas de concorrência nesse mercado que podem surgir das vinculações entre a Telefónica e a Telecom Italia, já que ambas controlam as duas maiores operadoras do país, a Vivo e TIM Brasil, respectivamente. O último movimento da Telefónica, que aumentou sua participação na Telco (principal acionista da Telecom Itália) de 46,2% para 66% (e planeja chegar a 70%), fez soar os alarmes. O Cade instou a Telefónica a vender a participação na TIM ou que ingressasse um novo sócio com um peso similar ao da Portugal Telecom antes de vender sua parte à companhia espanhola. "A Telefónica considera que as medidas impostas não são razoáveis e, como consequência, está analisando a possibilidade de iniciar as ações legais pertinentes", explica a empresa nesta sexta-feira.

Além da renúncia ao conselho da Telecom Itália por parte de Alierta e Linares, este último decidiu renunciar também "com efeito imediato" a seu posto na lista apresentada pela Telco (filial de Telecom Itália) para a potencial reeleição do Conselho de Administração da Telecom Itália na Junta de Acionistas da sociedade, convocada para 20 de dezembro de 2013.