O G-20 pactua acelerar o crescimento global em 2% nos próximos cinco anos

O clube dos países mais influentes se compromete a lutar contra a evasão fiscal das multinacionais

Os ministros de Finanças do G-20 pactuaram fixar o objetivo de crescimento da economia mundial 2% acima das estimativas atuais para os próximos cinco anos. O grupo, que se reuniu em Sydney, Austrália neste fim de semana, evitou fixar cotas específicas para cada país.

O documento final pede aos membros "ações concretas" para conseguir o incremento de 2% e apresenta medidas como "aumentar o investimento, o emprego e a participação, melhorar o comércio e promover a concorrência". Os membros do organismo que agrupa as economias mais poderosas do mundo apresentarão seus planos para impulsionar o crescimento durante o encontro de chefes de governo do G-20 que será celebrado em novembro em Brisbane, Austrália.

O ministro de Finanças do Canadá, Jim Flaherty, destacou o caráter simbólico de um acordo que não contempla multas caso os países não atinjam o objetivo. "O objetivo de crescimento deveria ser interpretado como uma aspiração, mais que como um objetivo em si", assegurou Flaherty.

A Espanha não empreenderá medidas específicas para impulsionar o crescimento depois da reunião do G-20. Luis de Guindos, ministro da economia espanhol, destacou que o Governo já começou um programa de estabilização de política fiscal. O plano do G-20 implicaria que o Produto interno bruto (PIB) espanhol crescesse 0,4% anual acima do crescimento já previsto. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou recentemente em 0,6% em 2014 e 0,8% em 2015.

O dirigente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, afirmou que "é ambicioso estabelecer um objetivo numérico para todo mundo". Draghi reiterou que "é possível concordar facilmente e compartilhar esta confiança no encontro do G-20, mas o objetivo quantitativo é um pouco ambicioso".

Concessão às economias emergentes

O comunicado do G-20 indica as tensões entre as economias emergentes e os países desenvolvidos. A fuga de capitais da Indonésia, Índia, África do Sul, Turquia ou Argentina para os Estados Unidos depois do início da retirada de estímulos da Reserva Federal desataram uma crise cambial nestes países.

As economias emergentes utilizaram o primeiro encontro do G-20 depois do início da crise como palco para expressar suas queixas e pediram mais consideração ao Fed na hora de retirar os estímulos.

"Todos estamos dispostos a dar os passos necessários para manter a estabilidade dos preços, enfrentando pressões inflacionárias e deflacionárias", diz o documento, que esclarece que "os bancos centrais mantêm seu compromisso de que o estabelecimento da política monetária continuará sendo calibrado e comunicado de forma clara".

O G-20 defende a ideia de que mudanças como a retirada de estímulos "podem conduzir a uma volatilidade excessiva" e enfatiza que "embora muitas economias estejam preparadas para isto, nossa principal resposta é reforçar e refinar o enquadramento de nossa política doméstica financeira, estrutural e macroeconômica".

Luta contra a evasão fiscal

A luta contra a evasão fiscal e os paraísos fiscais na era digital foi o foco de boa parte do encontro. O grupo não aprovou medidas concretas, mas concordou em levar à cúpula de chefes de governo "medidas efetivas, práticas e sustentáveis para implantar" e estabelecer um sistema regular que permita às autoridades do mundo todo trocar informações de forma automática.

O tesoureiro australiano, Joe Hockey, esclareceu que "a discussão não se centra em quais países têm determinada percentagem de impostos, mas sim que há um acordo unânime em que as empresas têm que pagar impostos".

Fracasso na reforma do FMI

O grupo de países que representa 85% da riqueza mundial expressou "decepção" e disse "lamentar profundamente" a falta de acordo para a reforma estrutural do Fundo Monetário Internacional (FMI) que dobraria o capital da organização e daria mais protagonismo aos países emergentes.

A reforma foi aprovada em 2010, mas permanece bloqueada porque o Congresso norte-americano não ratificou o acréscimo de capital.

A diretora do FMI, Christine Lagarde, lembrou "a necessidade de dispor de recursos fiáveis a longo prazo para enfrentar riscos ou crises potenciais" e pediu aos Estados Unidos que desbloqueiem a situação também porque "é necessária uma instituição que seja representativa na evolução da economia".