TRÁFICO DE DROGAS

1,4 toneladas de cocaína chegam à França em um caminhão do Rali Dacar

A polícia francesa prende dois cidadãos espanhóis e dois búlgaros em uma operação internacional

Um caminhão percorre as dunas durante o Rali Dacar 2014.
Um caminhão percorre as dunas durante o Rali Dacar 2014.JEAN-PAUL PELISSIER (REUTERS)

A polícia desmantelou uma rede internacional de tráfico de drogas que tentava introduzir na Europa 1,4 toneladas de cocaína escondidas em um caminhão de assistência do Rally Dacar 2014. O caminhão chegou na quarta-feira com outro veículo técnico do Dacar ao porto de Le Havre, norte da França, desde a cidade chilena de Valparaíso, onde terminou a corrida dia 18 de janeiro. Horas após o desembarque, dois cidadãos espanhóis foram presos.

Fontes próximas à equipe Epsilon Team disseram que um deles, o coordenador Xavi Mora, quem conduzia o veículo, foi interceptado em uma área de descanso de uma estrada na Normandia. O outro, David Oliveras, fundador da equipe, foi preso em sua casa, em Barcelona, e transladado posteriormente a Madri, onde declarou e continua preso. Os outros dois detentos, de nacionalidade búlgara, são considerados os cabeças do grupo e foram presos em seu país. A operação continua aberta e a polícia francesa disse neste sábado que haverá novas detenções em outros países, entre eles a Espanha.

A rede fretou a droga, procedente da Bolívia e Colômbia, no barco Río Nevado e a ideia era  levá-la até a Espanha fazendo escala em Le Havre, na França

As 1,393 toneladas de cocaína, a quantidade mais alta apreendida até agora na França, iam envolvidas com uma tripla proteção de plástico e camufladas em pneus depositados no baú do caminhão logístico do Dacar, que neste ano percorreu Argentina, Bolívia e Chile. O preço da cocaína apreendida alcançaria 270 milhões de euros (cerca de 870 milhões de reais) na revenda, disse a polícia.

O caminhão, um 8x8, é um dos veículos do Epsilon Team, uma equipe espanhola criada em 1987 e que desde então oferece serviços de assistência aos competidores. De fato, este onde a droga foi ocultada é o que atende competidores em motos e no qual dormiu nos últimos anos a piloto espanhola Laia Sanz. A sede da equipe, onde estão todos os caminhões e o material, em Can Massaguer, na cidade de La Roca del Vallés (Barcelona), foi também inspecionada pela polícia.

Segundo explicou o escritório central antidroga, conhecido como OCRTRIS, a colaboração entre as forças de ordem francesas, espanholas e búlgaras permitiu averiguar que a rede tinha fretado a droga, procedente da Bolívia e Colômbia, no barco Río Nevado e que sua ideia era a levar até a Espanha fazendo escala em Le Havre. As mesmas fontes afirmaram que os quatro detidos não têm relação com ASO, a empresa que organiza o Dacar, e indicaram que a rede internacional opera há vários meses.

Mora, que ficou incomunicado durante 72 horas, foi interrogado na sexta-feira na sede da OCRTRIS de Nanterre, próximo a Paris. Ali também estava o ministro do Interior da Espanha, Manuel Valls, que quis felicitar pessoalmente os agentes por uma apreensão que definiu como “histórica”. Valls destacou que a cooperação policial com a Espanha e a Bulgária funcionou de maneira impecável.