A ala da oposição que convocou o protesto se desvincula da violência

"Queremos mudar esse regime que oprime os venezuelanos", afirmam dois líderes opositores

Leopoldo Lopez e María Corina Machado durante a coletiva de imprensa convocada esta tarde em Caracas.
Leopoldo Lopez e María Corina Machado durante a coletiva de imprensa convocada esta tarde em Caracas.MIGUEL GUTIERREZ (EFE)

Os líderes da oposição venezuelana María Corina Machado, Leopoldo López e Antonio Ledezma compareceram diante a imprensa na noite desta quarta-feira para se desvincular dos fatos violentos ocorridos horas antes no centro de Caracas, quando um protesto estudantil contra o Governo de Nicolás Maduro desatou confrontos com a polícia que causaram ao menos três mortes.

"Nos retiramos às 14h20. Sempre dissemos que acompanharíamos os estudantes. Mas eles foram vítimas de uma emboscada momentos depois. Maduro disse que a polícia não se mobilizaria contra jovens, mas não respeitou o compromisso. A Venezuela sabe quem são os violentos”, disse Ledezma, prefeito metropolitano de Caracas, ao acusar os grupos que apoiam o chavismo de serem os responsáveis pela violência.

A coletiva de imprensa foi quase clandestina. No passado, as declarações da oposição recebiam generosos espaços ao vivo por meio da televisão local. Mas a partir de abril, com a venda do último canal combativo, a Globovisión, a oposição ficou sem um meio de comunicação com a sua audiência. A rádio e a televisão privadas mal tratam do que os líderes opositores falam. Foi uma decisão fruto de um tácito acordo entre a direção do canal e o Governo, que assegurou estabilidade política em troca de viabilidade para o negócio. Os sinais são transmitidos graças a uma concessão do Estado venezuelano.

A opositora Mesa da Unidade condenou sem reservas a violência

López, Machado e Ledezma reconheceram o cerco informativo e, ao longo dos 45 minutos do encontro, deixaram claro que vão ocupar as ruas até a mudança de Governo. “Estamos em luta, serenos e firmes. Não vamos ficar de joelhos. Querem tirar de nós a Venezuela, mas vamos dar a vida por ela”.

Machado ainda disse: “ao regime convém a violência. Temem a mobilização cívica e pacífica.” Mais tarde acrescentou: “Diante de um Governo despótico, a resposta é a rua e a organização cidadã. Dizemos que seguiremos na rua por que nosso propósito é mudar esse regime que oprime os venezuelanos”.

Leopoldo López falou sobre os rumores de sua prisão: “Não temos medo por que estamos do lado correto da história, dos que são vítimas da insegurança e não têm resposta”.

Os três líderes fazem parte de uma asa que decidiu que não é possível esperar as eleições de 2019, quando se celebrarão novas eleições presidenciais, para dar um golpe de leme ao rumo do país. A opositora Mesa da Unidade, a coalizão de partidos políticos da que fazem parte, condenou sem reservas a violência ocorrida. “Somos gente de paz”, disse seu secretário executivo, Ramón Guillermo Aveledo. “Se propomos uma mudança é para que os venezuelanos possamos viver em paz, sem exclusões”.

Arquivado Em

Recomendaciones EL PAÍS
Logo elpais

Você não pode ler mais textos gratuitos este mês.

Assine para continuar lendo

Aproveite o acesso ilimitado com a sua assinatura

ASSINAR

Já sou assinante

Se quiser acompanhar todas as notícias sem limite, assine o EL PAÍS por 30 dias por 1 US$
Assine agora
Siga-nos em: