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Agora patinho feio, Curitiba corre contra o relógio para a Copa

Em meio a intenso debate político, novo comitê de gestão assume as obras da Arena da Baixada com poucos dias para convencer a FIFA de que estádio ficará pronto

Operários trabalham na cobertura da Arena da Baixada.
Operários trabalham na cobertura da Arena da Baixada.Felipe Rosa (Ag. Confraria)

Em pouco mais de um ano, a Arena da Baixada, em Curitiba (região Sul) passou da condição de modelo a patinho feio na preparação para a Copa do Mundo. Com as obras de reforma e ampliação atrasadas, o estádio, que chegou a ser considerado o mais moderno do país, quando o Brasil ainda estava sendo cogitado para sediar o Mundial, tem agora até o próximo dia 18 para convencer a FIFA de que estará em condições de atender aos critérios necessários para o evento. De olho no calendário, um novo comitê assume a gestão das obras, que precisam acelerar.

Segundo engenheiro civil Reginaldo Cordeiro, secretário municipal da Copa em Curitiba, o ritmo das obras começou a cair à medida que aumentaram as dificuldades na liberação de recursos dos agentes financeiros. O custo inicial para as adaptações exigidas pela entidade era de 184 milhões de reais (75,8 milhões de dólares). Houve, então, uma revisão desse valor, quando ficou claro que o orçamento inicial não daria conta do recado. Subiu para 265 milhões de reais (109,2 milhões de dólares) num segundo momento. Mas a expectativa atual é de que o valor final se aproxime de 320 milhões de reais (131,8 milhões de dólares) – número este que deve ser confirmado nos próximos dias –, com 90% das obras concluídas.

Até agora, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi o principal patrocinador, com o financiamento de 131 milhões de reais (cerca de 54 milhões de dólares). O Fomento Paraná, agência de investimento ligada ao governo do Estado, liberou 95 milhões de reais em parcelas, sendo a última concedida há dez dias, no valor de 39 milhões de reais (16 milhões de dólares), na sequência da última visita do secretário-geral da FIFA, Jérôme Valcke. Nos valores restantes há investimentos do Atlético Paranaense, dono do estádio, e dos governos locais.

“O prefeito e o governador já declararam que não há intenção de repasse de verba pública para uma arena privada. Eles não podem assinar um cheque em branco”, diz Cordeiro. Segundo o secretário, as esferas estão dando o apoio necessário para a obtenção de garantias visando a um novo contrato de financiamento, que seria o quarto e cujos detalhes deverão ser conhecidos nos próximos dias.

O modelo de autogestão também é apontado por Cordeiro como responsável pelos atrasos. “Há aproximadamente 40 empresas hoje na frente de trabalho dentro do estádio, atuando em seções específicas nas obras”, afirma. A Arena CAP, empresa criada pelo Atlético Paranaense para gerenciar o projeto, era a única responsável. Um novo comitê com profissionais indicados pelos governos federal, estadual, municipal e da própria CAP faz agora um diagnóstico real da situação.

Fechada a visitas da imprensa e do público, as obras da Arena são acompanhadas de fora com curiosidade por torcedores que acompanham sua evolução, no bairro Água Verde, próximo ao centro. Os mais assíduos juram que é perceptível o ritmo mais acelerado no canteiro de obras nesta semana em relação às anteriores. Um grupo costuma se reunir todos os dias em frente ao estádio para confraternizar e discutir, além de futebol, o andamento no canteiro.

“A Arena tem condições técnicas de estar pronta para a Copa. Mas isso depende do gerenciamento do estádio”, avalia o secretário municipal. Ele conta que até o novo prazo dado pela FIFA deverão ser entregues a estrutura metálica superior da arena, ao menos 10.000 assentos, vestiários e iluminação, o gramado colocado e as telhas de policarbonato que servirão como cobertura.

O Atlético-PR tem evitado se pronunciar sobre a situação na arena. A uma rádio local, o presidente do clube, Mário Celso Petraglia, disse que a sua instituição tem sido crucificada. “Sem caixa você não dá tranquilidade aos fornecedores, não dá segurança aos empreiteiros, não paga os seus funcionários, você não cumpre a programação e com isso gera uma insegurança, uma instabilidade, uma falta de credibilidade muito grande”, afirmou o dirigente. Ele atribui ao não cumprimento dos compromissos assumidos pelo governo estadual e municipal o maior entrave à conclusão do estádio, “desde o primeiro momento”.

Ele diz também que, apesar dos problemas enfrentados para a obtenção dos financiamentos, ainda assim o estádio terá um custo menor que 6.000 reais (2,4 mil dólares) o assento, em média. “É menos da metade da média nacional. O Rio de Janeiro custou mais de 20 mil reais por assento”, avalia. “E isso mesmo tendo subido alguns percentuais além da inflação no nosso orçamento final.”

Em ampliação para acomodar aproximadamente 42 mil espectadores, a Arena da Baixada tem programado sediar quatro jogos da primeira fase do torneio: Irã x Nigéria (16 de junho); Honduras x Equador (20); Austrália x Espanha (23); e Argélia x Rússia (26).

Caso Curitiba, escolhida pela Espanha para se instalar durante a Copa, fique fora do torneio, uma alternativa possível seria distribuir os jogos entre as 11 sedes do Mundial, já que não há outros estádios no país reformados ou construídos seguindo o padrão exigido pela FIFA. Mas isso certamente causaria grandes transtornos no planejamento das seleções, na venda de ingressos, já iniciada, e na hospedagem dos torcedores.

A FIFA tinha o último dia do ano passado como prazo para a entrega dos estádios para o Mundial. “Assim teremos tempo para realizar eventos-teste para que a operação durante a Copa do Mundo seja como os torcedores, as delegações e a imprensa merecem”, chegou a afirmar o diretor-executivo do Comitê Organizador Local (COL), Ricardo Trade.

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