Morre Ariel Sharon

O general e ex-primeiro-ministro de Israel estava em coma havia oito anos Sua saúde tinha se deteriorado notavelmente nos últimos dias

Ariel Sharon no muro das Lamentações em 2001.
Ariel Sharon no muro das Lamentações em 2001.Getty Images (Getty Images)

O ex-primeiro ministro israelense Ariel Sharon morreu neste sábado aos 85 anos, segundo informa a imprensa local, após passar oito deles em estado vegetativo. No final do ano passado seus médicos afirmavam que ele havia passado uma notável deterioração de sua saúde, com graves falhas renais e inclusive uma infecção sanguínea. Sharon faleceu no hospital de Tel Hashomer, onde estava internado.

Antes de entrar em coma, Sharon sofreu de sobrepeso, colesterol alto e hipertensão. Em dezembro de 2005, enquanto era primeiro-ministro de Israel, teve um acidente vascular cerebral (AVC) após os médicos lhe aconselharam uma mudança radical de hábitos alimentares. O veterano geral e político conservador era conhecido por seu grande apetite e seu amor por uma grande variedade de alimentos, desde o caviar aos hambúrgueres. As recomendações médicas não o fizeram mudar seus costumes à mesa.

Várias semanas depois, em janeiro de 2006, sofreu o AVC definitivo, que lhe deixou em coma todos estes anos e do qual não se recuperou, apesar de breves intervalos em que os médicos detectaram leves melhorias da atividade cerebral do paciente, sem que ele chegasse a recobrar a consciência. Em 2010 o político foi transferido do hospital Sheba de Tel Hashomer, às periferias de Tel Aviv, para  o seu sítio de Havat Shikmin, no deserto do Negev, onde passou uma boa parte dos últimos anos.

A despesa da atenção médica a Sharon, segundo uma estimativa do Parlamento israelense de 2010, foi de 1,6 milhões de shékels ao ano (1 milhão de reais). Sua família e amigos mantiveram a esperança de uma recuperação até o final de seus dias. De fato, o Governo seguiu pagando a seu motorista oficial o salário de conduzir para o primeiro-ministro até novembro do ano passado.

Sharon, nascido em Kfar Malal em 1928, quando a Palestina histórica estava sob regime britânico, foi um feroz general com vasta experiência na península do Sinai e a ele são atribuídos grandes sucessos estratégicos que permitiram a Israel ganhar a guerra contra Egito e Síria em 1973, a chamada guerra de Yom Kipur. Foi eleito primeiro-ministro filiado ao partido Likud em 2001. Ocupou o cargo até que sofreu o AVC em 2006, após ter fundado o partido centrista Kadima, que, com a ausência ele, ganhou uma eleição, mas se enfraqueceu notavelmente com os anos até se tornar mero espectador.