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Ao menos 13 mortos em confrontos entre policiais e manifestantes no Egito

Partidários da Irmandade Muçulmana, o movimento islâmico do presidente deposto Mohamed Morsi, entraram em choque contra as forças policiais em várias cidades do país

Manifestantes islâmicos lançam pedras e outros objetos contra os policiais anti-distúrbios durante confrontos no Cairo (Egito).
Manifestantes islâmicos lançam pedras e outros objetos contra os policiais anti-distúrbios durante confrontos no Cairo (Egito). EFE

O Ministério da Saúde do Egito confirmou ao menos 13 mortes na sexta-feira em várias cidades do país durante novos confrontos entre policiais e manifestantes partidários da Irmandade Muçulmana, o movimento islâmico do presidente deposto Mohamed Morsi. No entanto, a coalizão de partidos islâmicos, que apoia o ex-rais Morsi, elevou a cifra de vítimas a 19 em um comunicado, o que converteria esta jornada na mais violenta dos últimos meses.

Várias cidades do país árabe foram palco dos protestos anti-governo. Os distúrbios mais violentos aconteceram no bairro Medina Náser, no Cairo, onde morreram três pessoas. Nesta zona está situada a Universidad de Al Azhar, um dos principais focos de protesto durante as últimas semanas. As outras três vítimas faleceram durante os distúrbios nas cidades de Suez, Alexandria y Fayoum. Além disso, foram registrados dezenas de feridos e cerca de 122 pessoas foram detidas.

A mobilização dos seguidores do ex-presidente Morsi, deposto no mês de julho por um golpe de Estado, tinha como objetivo demonstrar a rejeição ao referendo constitucional que será celebrado nos dias 14 e 15 de janeiro. A Irmandade pediu aos cidadãos que boicotem a consulta. Os confrontos acontecem cinco dias antes da segunda audiência do ex-rais, acusado de incitar o assassinato de manifestantes opositores a seu governo. Morsi está sendo processado em outras duas causas, entre elas conspirar com as milícias do Hamas e Hezbollah, um julgamento que se iniciará em 28 de janeiro.

Durante as manifestações os participantes gritaram contra o Exército e seu máximo responsável, o ministro da Defesa Abdel Fattah al Sisi. Os islâmicos incendiaram vários veículos, alguns deles das forças de segurança, atacadas com pedras e coquetéis molotov. A polícia respondeu lançando gases lacrimogêneos. Em vários pontos do país, partidários do Exército se uniram às forças da ordem no combate contra os partidários de Morsi.

Esta nova eclosão de violência ocorre após a Irmandade Muçulmana ter sido designada pelas autoridades egípcias como uma "organização terrorista". O executivo atribui à organização um atentado que causou a morte de 16 pessoas na cidade de Mansura, pese a ter sido reivindicado por um grupo jihadista. O ministro do Interior, Mohamed Ibrahim, apresentou na quinta-feira a primeira prova que vincula a Irmandade com alguma atividade terrorista: a confissão de um suposto membro do grupo que reconheceu ter recebido treinamento do Hamas em Gaza, e ter cometido diversos atos violentos.