O líder da Coreia do Norte assegura que a execução de seu tio elimina a “escória”

Em sua mensagem de Ano Novo, Kim Jong-un destaca a morte de seu tio, sem nomeá-lo, e as eliminações de antirrevolucionários

Kim Jong-un durante sua mensagem de Ano Novo.
Kim Jong-un durante sua mensagem de Ano Novo.KYODO (REUTERS)

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, disse nesta quarta-feira que quer melhorar os relacionamentos com a Coreia do Sul e fez sua primeira referência pública à execução de seu tio, Jang Song-thaek, no mês passado, depois da qual se fortaleceu a unidade do regime.

"As duas Coreias deveriam criar ambiente para melhorar os relacionamentos", disse Kim em um discurso em rede nacional de TV no dia do Ano Novo. "É hora de acabar com calúnias inúteis, e tanto a Coreia do Norte como Coreia do Sul não deveriam fazer coisas que prejudiquem a reconciliação e a harmonia".

Imitando seu avô Kim Il-sung, o jovem Kim começou a fazer discursos no dia de Ano Novo após sua chegada ao poder há dois anos. Essas mensagens são observadas com atenção, em busca de pistas sobre as mudanças das prioridades do regime. Mesmo assim, foram poucas as mudanças desde então. Durante o Governo de seu pai, Kim Jong-il, as mensagens apareciam nos principais jornais estatais do país em forma de uma editorial para celebrar a data.

Muitos analistas esperavam com especial interesse o discurso deste ano por ocorrer pouco depois da eliminação de Jang, que era considerado durante muito tempo o mentor de Kim e o segundo homem mais poderoso do regime. Jang foi executado em 12 de dezembro, acusado de tentar um golpe de Estado para derrocar o governo de Kim, má administração de interesses econômicos e outros delitos.

No início da mensagem de 25 minutos, Kim se referiu à execução como um passo que assegurou que “as filas revolucionárias (do Partido dos Trabalhadores da Coreia) tenham se consolidado ainda mais”, depois de se desfazer da "escoria dissidente".

A execução de Jang foi o maior acontecimento político na Coreia do Norte nos últimos anos. Alguns analistas pensam que a eliminação dará lugar a um período de instabilidade no regime, já quemostra uma luta de poderes em Pyongyang e um líder que não conseguiu estabelecer a autoridade absoluta que seu pai e seu avô tinham. Outros analistas consideram que ajudou a assegurar a consolidação do poder de Kim.

Kim destacou em profundidade a unidade ideológica e do partido durante seu discurso. "Devemos intensificar a educação ideológica entre os servidores públicos, membros do partido e outras pessoas para assegurar-nos de que pensem e atuem em todo os momentos e em todo os lugares, de acordo com as ideias e as intenções do partido", disse Kim.

Uma grande parte do discurso de 4.000 palavras foi dedicado a supostas melhorias no nível de vida do país e para instar um fortalecimento das capacidades de defesa.

O Ministério da Unificação da Coreia do Sul, que se ocupa dos assuntos entre as duas Coreias, disse que “resta ver se o Norte vai mudar sua atitude no futuro, já que continua criticando" o Sul, segundo um comunicado de imprensa, citado pela agência de notícias Yonhap. O Governo sul-coreano advertiu várias vezes que a Coreia do Norte poderia fazer provocações militares contra o Sul no início do ano para construir uma unidade interna.

Em sua mensagem, Kim voltou a fazer as acusações rotineiras de que Coreia do Sul e os Estados Unidos seguem com jogos de guerra na Península, e repetiu as ameaças do ano passado de possíveis ataques preventivos. A legitimidade interna do regime baseia-se na necessidade de defender o país da ameaça constante de invasão. "Se outra guerra estoura nesta terra, se converterá em uma catástrofe nuclear mortal e os Estados Unidos nunca estarão a salvo", disse Kim.