Portugal vende 85 obras de Miró procedentes do 'crash' financeiro

Christie’s leiloa em Londres uma coleção de 85 peças do pintor catalão que pertenceram ao Banco Português de Negócios. O país espera obter por elas mais de 115 milhões de reais

'Lenço queimado 3', de Joan Miró.
'Lenço queimado 3', de Joan Miró.

São os restos de um naufrágio financeiro transformado em obras de arte. A Christie’s leiloa em Londres, nos próximos dias 4 e 5 de fevereiro de 2014, uma coleção de 85 peças de Miró que pertenceram ao Banco Português de Negócios, uma das vítimas, ou dos carrascos, dependendo do ponto de vista, da crise financeira de 2008. A companhia, devido a um gerenciamento negligente, quebrou. Como herança, os portugueses ficaram com um buraco de 1,8 bilhão de euros (5,9 bilhões de reais). O Estado português, uma vez nacionalizada a entidade, a vendeu ao Banco BIC português. E, claro, ficou com as obras. Agora as leva a leilão e espera obter por elas 30 milhões de libras (mais de 115 milhões de reais).

É uma boa quantidade por peças de qualidade média-alta, algo distante da ideia que quer transmitir a casa de leilões. “Uma das ofertas mais amplas e impressionantes de obras deste artista e que jamais saíram a leilão”. Talvez seja assim por número, embora pelo nível das peças talvez seja diferente.

Apesar de tudo, encontramos na oferta obras muito interessantes que abrangem sete décadas de trabalho do criador catalão. Um dos lotes que, com certeza, encontrará melhor acolhida é o óleo sobre tela de 1968 titulado Mulher e pássaros, dois dos motivos clássicos de Joan Miró. A sala estimou um preço que oscila entre quatro e sete milhões de libras (15 e 27 milhões de reais). A outra tela de maior interesse é Pintura 1953. De grandes dimensões (57 x 500 cm) tem um desses formatos horizontais que Miró transladou com grande sucesso a edifícios públicos com materiais como a cerâmica. Para esse trabalho, a estimativa da Christie’s situa-se na margem que vai de 2,5 a 3,5 milhões de libras (9,7 a 13,6 milhões de reais). 

Embora as obras que tenham mais profundidade, como conjunto, talvez sejam um grupo de seis pinturas sobre papelão duro. Fazem parte de uma série de 27 peças que Miró criou no verão de 1936 em pleno começo da Guerra Civil espanhola. Junto com elas um interessante grupo de guaches produzidos entre agosto e setembro de 1935.

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