Cristina Kirchner troca ministro que estava há seis meses no cargo

Cecilia Rodríguez, a nova responsável pelo ministério da Segurança, organizava a logística das forças armadas em situações de desastre

O ex-ministro da Segurança, Arturo Puricelli, em 2012.
O ex-ministro da Segurança, Arturo Puricelli, em 2012.LEO LA VALLE (EFE)

A presidenta da Argentina Cristina Kirchner, tirou do Governo, nessa segunda-feira, - ou aceitou sua demissão - o ministro da Segurança Arturo Puricelli, que estava no cargo desde junho deste ano. E em seu lugar, colocou María Cecilia Rodríguez, de 46 anos. A notícia se tornou pública à uma da tarde, através de um sucinto comunicado lido na Casa Rosada pelo porta-voz do Governo, Alfredo Scoccimarro. O Governo, como costuma ser habitual nestes casos, não ofereceu nenhuma explicação sobre a saída de Puricelli. Não obstante, a segurança é, há alguns anos, um dos principais argumentos utilizados pela oposição para desgastar o Governo. Nos seis meses em que Puricelli comandou o ministério, nenhuma melhoria foi notada. Mas foram apenas seis meses e, na realidade, o homem que mandava e ainda manda neste ministério é o secretário de Segurança, Sérgio Berni.

Apesar da mudança de rostos, é muito provável que Sérgio Berni continue sendo o ministro nas funções. De fato, uma das características mais destacáveis desta licenciada em Ciências Políticas é que se trata de uma pessoa da absoluta confiança de Berni. Não estamos, portanto, diante a uma mudança da magnitude das outras que acometeram Kirchner, depois de passar 47 dias em repouso. Arturo Puricelli, de 66 anos, estava bem longe de ser um personagem destacado no Governo. Nunca teve o poder e nem a influência sobre Cristina Kirchner que o anterior secretário de Estado de Comércio Guillermo Moreno, de quem a presidenta também aceitou a demissão. Todo mundo assume que o verdadeiro poder do ministério se encontra nas mãos de Sérgio Berni, o secretário de Segurança. Mas a saída de Puricelli, por muito irrelevante que fosse seu papel no Executivo, não deixa de ser uma mudança, mais uma desde que Kirchner voltou a exercer a presidência.

A nomeação da ministra da Segurança soma-se à de Jorge Capitanich como Chefe de Gabinete – com as atribuições de um superministro -, à de Axel Kicillof ao comando do ministério de Economia – sem um Guillermo Moreno que lhe faça sombra -, à designação de Carlos Casamiquela como ministro da Agricultura, ao novo presidente do Banco Central, Juan Carlos Fábrega e ao do novo responsável pelo organismo encarregado de lutar contra o tráfico de drogas.

Nas últimas semanas, tanto a Igreja como a Corte Suprema denunciavam o avanço do narcotráfico nas estruturas do Estado. A Igreja apontava o Governo como responsável por esse avanço e denunciava que não tinha ninguém à frente da Secretaria de Programação para a Prevenção da Droga (Sedronar). Kirchner respondeu à Igreja, na semana passada, com um presente envenenado: nomeou um cura à frente desse organismo… mas o cura é Juan Carlos Molina, que mostrou, em numerosas ocasiões, sua afinidade com o Governo. E agora, nomeia como ministra da Segurança, Cecilia Rodríguez, que mantém excelentes relacionamentos com Juan Carlos Molina.

Cecilia Rodríguez era a secretária de Coordenação Militar de Assistência em Emergências, no Ministério da Defesa. Organizava a logística das forças armadas em situações de catástrofes. Cristina Kirchner a condecorou por seu trabalho no Haiti, onde trabalhou com os Capacetes Brancos por meio do ministério das Relações Exteriores. Também atuou ante o Furacão Mitch, da Nicarágua e Honduras, e o tsunami da Indonésia, segundo informa a agência oficial Télam.

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