Viagem literária pelo México de Jorge Ibargüengoitia

Juan Villoro abre, com um livro de seu compatriota, esta série em que cada dia um escritor mexicano recomenda uma obra para conhecer melhor seu país

Detalhe de uma das capas de 'Instruções para viver no México', de Ibargüengoitia.
Detalhe de uma das capas de 'Instruções para viver no México', de Ibargüengoitia.

O espaço virtual de EL PAÍS na Feira de Guadalajara dá início hoje à série Viagem Literária pelo México. A cada dia, um escritor mexicano recomendará um livro de um compatriota que nos permita conhecer melhor seu país. Participarão Juan Villoro, Cristina Rivera Garça, Jorge Volpi, Guadalupe Nettel, Xavier Velasco...

Começamos esta Viagem Literária pelo México com a recomendação de Juan Villoro:

Em Instruções para viver no México, Jorge Ibargüengoitia conseguiu o melhor manual de sobrevivência para um país que costuma ser um mistério (especialmente para os mexicanos). O livro reúne uma série de colunas que publicava duas vezes por semana, e escrevia com toda a pressa na segunda-feira, para confirmar que tinha o melhor trabalho do mundo: de terça a domingo estava livre. Armado de um excepcional senso de humor, o cronista e romancista se adentrou nos enigmas da vida cotidiana e a mudança dramática da identidade (que trabalho nos custa nos parecer com nós mesmos!). Convencido de que nascer sob o signo de Aquário fez com que ele tivesse goteiras pela vida, Ibargüengoitia viu os desastres cotidianos com uma ironia que quase os tornava familiares. A velha e exótica sabedoria de suas tias, as profecias das serventes, as frases escutadas no bairro de Coyoacán e os papos de cantina entraram em suas páginas como o coro grego de um moderno Aristófanes. Sem ser um entusiasta da catástrofe, descobriu que o caos diverte, encontrou anticorpos contra o mal e deixou um script de como sobreviver aos incômodos dos vizinhos, aos enganos do governo, à solenidade dos intelectuais e, algo quase impossível de conseguir, a uma fanfarra de estudantes.