Lançados com sucesso três satélites para estudar o magnetismo terrestre

Os três elementos da constelação europeia Swarm partiram em um foguete russo Rockot para se situarem na órbita da Terra

Lançamento do foguete Rockot com os três satélites Swarm.
Lançamento do foguete Rockot com os três satélites Swarm. (ESA)

Três satélites idênticos, de quase 500 quilos cada um, foram lançados nesta sexta-feira com sucesso ao espaço para formar em órbita uma constelação. Eles medirão, voando em formação, o magnetismo terrestre. Além disso, obterão dados da atmosfera, o que permitirá aprofundar o conhecimento do meio da Terra e a influência do Sol. É a missão Swarm da Agência Europeia do Espaço (ESSA) e seu lançamento aconteceu na sexta-feira 22 de novembro, da estação russa de Plesetsk, a 800 quilômetros ao norte de Moscou em um foguete Rockot, um antigo míssil balístico intercontinental reformado e adaptado para lançar satélites em baixa órbita. Às 14h40 desse dia, os responsáveis pelo controle da missão confirmaram a recepção dos sinais da cada um dos três satélites e sua posição em órbita. Qualificaram o lançamento como um "rotundo sucesso". Os três satélites partiram alojados na ponta do foguete para depois se separarem no espaço cumprindo uma manobra planejada ao milímetro e situar-se cada um em sua posição precisa da configuração de voo.

De ESOC, o centro de controle de voos da ESSA em Darmstadt (Alemanha) seguiram as fases iniciais do lançamento e o cumprimento da sequência automática em órbita, incluído o envio dos primeiros sinais dos três satélites (primeiro dois deles e logo depois o terceiro), antes de assumir o controle direto da missão. Uma fase crítica é a exibição de um longo mastro em cada um dos Swarm necessário para a coletar os dados porque em seu extremo vão instalados os magnetômetros. A implantação dos mastros estava prevista para sexta-feira, mas toda a fase inicial em órbita dura três dias. “Para nós, o recebimento do sinal, marca o início da missão e é o momento crucial para o que temos treinando”, disse Juan Piñeiro, chefe de operações de Swarm.

Os Swarm são idênticos e trabalharão em órbita quase polar: dois deles a 460 quilômetros de altura sobre a superfície terrestre (que chegarão a ser só 300 ao final da missão) e o terceiro mais acima, a 530 quilômetros e com uma inclinação ligeiramente diferente. O jogo das órbitas, minuciosamente calculado, e os instrumentos que levam os três satélites otimizarão o programa de tomada de dados dos sinais magnéticos.

Cada Swarm, construídos pela Astrium, tem uma massa de 472 quilos (106 são de propulsor) e mede nove metros de comprimento (incluindo um mastro de quatro metros que é implantado em órbita), 1,5 metro de comprimento e 0,85 de altura. Seu desenho e construção tem sido um desafio para os engenheiros dado que tiveram que cumprir extraordinários requisitos de proteção em frente aos campos magnéticos que afetariam seus sensíveis detectores. Não levam nenhum material magnético, nada que tenha ferro; são feitos de fibra de carbono e evitaram usar em sua montagem materiais como colas que podem conter impurezas. A bordo vão dois magnetômetros diferentes, um instrumento para medir o campo elétrico e um acelerômetro, além do receptor GPS e sensores de estrelas de referência. Seu custo total ascende a 220 milhões de euros, incluído o foguete, mais 30 milhões de euros gastos com a operação durante os quatro anos de funcionamento previstos.

Depois do lançamento ao espaço, os especialistas da missão demorarão três meses para fazer as provas e calibragens necessárias antes de começar a trabalhar com a flotilha Swarm.

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