GASTRONOMIA

Beleza põe a mesa com sabores e design da culinária espanhola

Mostra do Museu da Casa Brasileira até 6 de novembro explora 'boom' criativo espanhol

Detalhe dos guardanapos ‘dress for dinner’, de Héctor Serrano.
Detalhe dos guardanapos ‘dress for dinner’, de Héctor Serrano.EFE

A explosão criativa que surgiu na Espanha com a fusão entre a gastronomia e o design é a protagonista de uma exposição em São Paulo, em cartaz atualmente no Museu da Casa Brasileira, onde fica até 6 de novembro. A mostra conta com 250 objetos, que vão do pote de barro até os elementos mais sofisticados das cozinhas dos grandes chefs, passando pela frigideira usada para fazer a tradicional paella espanhola.

“Trata-se de promover no exterior a criatividade espanhola através de duas atividades que estão no auge no mundo”, explicou o arquiteto e estilista Juli Cabella, curador da mostra organizada pela Ação Cultural Espanhola. A exposição Tapas: Spanish Design for Food chegou ao Brasil depois de passar por várias outras cidades, entre elas Miami, Cidade do México e Tóquio.

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“Embora não pareça uma exposição sobre comida, é sobre os objetos que as rodeiam”, afirmou Capella, reconhecendo que escolheu a palavra tapas para o título porque “funciona mundialmente e não é preciso traduzi-la”. Uma tapa – conforme se explica ao visitante sobre a típica maneira espanhola de comer com vinho – é "qualquer porção pequena de comida, fria ou quente, crua ou preparada, servida com a bebida". Já o verbo tapear significa uma forma de socialização ao redor, claro, do comer e do beber.

A exposição é dividida em três espaços: a cozinha, a mesa e a própria comida. Nela brilham ícones espanhóis tradicionais, como a bota, o botijo (recipiente de barro) e o porrón (garrafa de vidro com bico alongado), mas que chegam com estilo renovado feito por designers como Jesús Blanco, Héctor Serrano e até a holandesa Marre Moerel.

“Os visitantes vão se surpreender porque descobrirão que são instrumentos e produtos muito inteligentes. E porque não ficamos parados: as novas gerações utilizaram esse ponto de partida para fazer objetos de vanguarda”, diz o curador. Em forma de homenagem, os expositores também reuniram alguns dos destaques do design espanhol relacionados com a gastronomia. Entre eles, um recipiente para azeite que não goteja criado por Rafael Marquina em 1961; o processador Minipimer, inventado nos anos 1950 por Gabriel Lluelles; e o saca-rolhas de dupla alavanca que David Olañeta desenhou em 1932 e que continua em uso.

Mas a mostra – segue de perto o trabalho de pesquisa, as cozinhas e as salas dos grandes restaurantes espanhóis, como El Bulli, El Celler de Can Roca, Arzak e Mugartiz – apresenta também os atuais expoentes de desenho industrial, arquitetos, decoradores e inclusive bodegueiros, que, em associação com os grandes cozinheiros, contribuem para o auge da gastronomia espanhola. “Aqui há um personagem destacado por sua genialidade criativa, Ferrán Adriá, e ele mesmo reconhece que cozinhar é desenhar os pratos”, diz Capella.

Estande com presuntos que faz parte da exposição ‘Tapas: Spanish Design for Food’.
Estande com presuntos que faz parte da exposição ‘Tapas: Spanish Design for Food’. (EFE)

Assim, podem-se ver utensílios de laboratório usados por Adriá para criar o mítico caviar falso e seu espaguete de um metro e meio de comprimento, além dos surpreendentes moldes de massa que o cozinheiro catalão utiliza para desenhar os protótipos de seus pratos.

Do restaurante dos irmãos Roca, coroado como um dos melhores do mundo, pode-se ver o sofisticado carrinho de sobremesa e os pratos angulosos de Luesma & Vega. Já do restaurante de Juan Mari Arzak, chega o protótipo da louça multissensorial desenvolvido por Jon Rodriguez.

No setor de comida, que fecha a exposição, destacam-se também outros produtos intrinsecamente espanhóis, como as azeitonas, os churros e o pirulito chupa chups. São exemplos de perfeito design industrial. O pirulito espanhol, por exemplo, cujo logotipo foi redesenhado por Salvador Dalí, é um produto exibido no Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York. Os vinhos também ganharam destaque: cem produtos de vinícolas espanholas foram selecionados não por sua qualidade, e sim pelo desenho das garrafas e rótulos.

Indo além do museu, para saciar a fome de quem ficou com o paladar aguçado, durante o mês de outubro acontece, no rastro da exposição, a Tapas Week. O evento ocorre do dia 22 (dia mundial da tapa) ao 2 de novembro em diversos restaurantes de São Paulo.

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