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May ordena investigação sobre incêndio que matou ao menos 17 em Londres

Revestimento plástico da fachada do edifício é uma das possíveis causas do desastre

Bombeiros acreditam que haverá mais vítimas entre os escombros do prédio

Vista dos danos causados pelo incêndio declarado na Torre Grenfell.
Vista dos danos causados pelo incêndio declarado na Torre Grenfell. EFE

Os bombeiros de Londres elevaram para 17 o número de vítimas mortas no incêndio do edifício Grenfell, um prédio de 24 andares destruído por um incêndio nesta quarta-feira, segundo Stuart Cundy, chefe pela polícia londrina. Os serviços de resgate conseguiram acessar nesta quinta-feira, com grande dificuldade, os andares mais altos do prédio residencial. Os bombeiros dizem que provavelmente ainda encontrarão mais cadáveres, e que dificilmente haverá sobreviventes dentro dos escombros. A primeira-ministra Theresa May ordenou uma “completa investigação pública” das causas do desastre.

As autoridades temem pelas dezenas de moradores do prédio que permanecem desaparecidos depois do incêndio, que se espalhou rapidamente ao ser alimentado pelo novo revestimento externo do edifício, feito de polietileno, que foi instalado numa reforma no ano passado, segundo especialistas citados pela imprensa britânica. May ordenou uma completa investigação pública das causas do incêndio, pouco depois de o líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, também pedir a apuração dos fatos. Os dois visitaram separadamente o local do desastre.

O fogo foi totalmente extinto ao longo da madrugada desta quinta, mas os bombeiros continuam fazendo os trabalhos de rescaldo do edifício, e ainda há brasas ardendo nos últimos andares. Dany Cotton, chefa do departamento de bombeiros da capital britânica, já descartou o risco de desmoronamento do prédio, mas vários engenheiros estão fazendo mais testes dos elementos de sustentação.

Na manhã desta quinta, Cotton informou que os bombeiros realizaram uma rápida revisão dos últimos andares em busca de problemas de segurança. “Por enquanto não estamos enviando bombeiros para lá, porque as zonas exteriores desses andares do edifício não estão estruturalmente seguras”, disse ela. Os especialistas em combate a incêndios fizeram uma inspeção superficial das portas das casas desses últimos andares e enviaram cães especializados na localização de pessoas. E, depois de determinar que ainda há dezenas desaparecidos, disseram que provavelmente o número de vítimas ainda irá subir.

Cotton relatou que ainda falta isolar uma canalização principal de gás do edifício, que apresenta problemas, e escorar várias zonas do imóvel antes de continuar com a revisão aprofundada e a busca por vítimas de forma mais segura.

Após uma primeira inspeção visual com drones da cobertura do edifício e de uma verificação superficial dos andares superiores, os especialistas do departamento de bombeiros de Londres se dispõem a rever cada cômodo dos 120 apartamentos do prédio, onde havia “centenas de pessoas” quando o fogo começou, segundo os bombeiros.

Ainda não há nem sinal de muitos dos moradores, e as autoridades emitiram um apelo para que elas sejam procuradas ou entrem em contato com a polícia por iniciativa própria. “Nossa prioridade absoluta é localizar as pessoas que estão desaparecidas”, disse Cundy.

“Pedimos a quem tiver sido afetado pelo incêndio e estiver em um local seguro que entre em contato com os serviços de emergência”, insistiu o chefe de polícia. Dos 78 feridos, 37 continuam hospitalizadas, sendo 17 em estado crítico.

A investigação sobre as causas do incêndio já está em andamento, mas tanto a polícia como bombeiros pedem que sejam evitadas conclusões apressadas. “Não queremos especular nem sobre as causas do incêndio nem sobre por que ele se estendeu desse jeito”, afirmou Cotton. Porém, especialistas citados pelo jornal The Guardian sugeriram que o revestimento externo instalado sobre a fachada na última reforma pode ter contribuído para alimentar as chamas.

O jornal faz um paralelismo com o incêndio que em 2014 devorou em poucos minutos um edifício em Melbourne (Austrália) recoberto com o mesmo material plástico. Além disso, essa proteção externa, usada também com fins estéticos, foi vinculada a três incêndios ocorridos em prédios de Dubai. “A propagação do fogo nessa ocasião foi diretamente associada a esse revestimento externo”, segundo os bombeiros. Em ambos os casos, a fachada foi recoberta com painéis de interior plástico (polietileno) e chapa exterior de alumínio.

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, afirmou ter ordenado inspeções em outros prédios de apartamentos submetidos a reformas semelhantes ao do edifício Grenfell. Enquanto isso, 30 imóveis nas imediações do edifício sinistrado permanecem desalojados.

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