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Incêndio em abrigo de menores mata 31 meninas na Guatemala

Local abrigava vítimas de abusos sexuais e violência doméstica, além de moradores de rua

A tragédia aconteceu após um protesto contra as más condições do centro de acolhimento

Guatemala
Familiares das vítimas do incêndio no centro de menores de San José Pinula, Guatemala. REUTERS

Pelo menos 31 meninas morreram em um incêndio num centro de acolhimento de vítimas de abusos, localizado a sudeste da capital da Guatemala, nesta quarta-feira. Segundo os bombeiros, a tragédia ocorreu entre a noite de terça-feira e a madrugada de quarta no Lar Seguro Virgem da Assunção, situado no município de San José Pinula, um dia após 60 jovens internados na instituição fugirem do local. De acordo com a imprensa local, o incêndio começou durante um protesto dos menores, que reclamavam de maus tratos e das condições da casa, mas as causas do incidente ainda estão sendo investigadas pelas autoridades locais. Ao menos 30 pessoas chegaram a ser socorridas e encaminhadas a hospitais da região.

O Lar Seguro Virgem da Assunção, vinculado à Secretaria de Bem-Estar Social da Presidência, abriga mais de 600 meninas e adolescentes vítimas de violência familiar, meninos de rua, jovens com problemas de dependência de drogas ou abusos sexuais.

A tragédia se iniciou depois que internas avisaram seus parentes que pretendiam fazer um protesto na tarde de terça-feira, momento em que algumas delas conseguiram fugir. Quando parecia que a situação havia acalmado, na manhã de quarta-feira, um grupo de meninas colocou fogo nos colchões de duas celas. As chamas saíram do controle.

De acordo com os parentes das meninas e adolescentes ali internadas, os abusos por parte das autoridades vão desde agressões verbais, físicas e psicológicas até violações sexuais 

De acordo com os parentes das meninas e adolescentes ali internadas, os abusos por parte das autoridades vão desde agressões verbais, físicas e psicológicas até violações sexuais por parte dos monitores. As restrições às visitas de familiares e a péssima qualidade da comida também são motivo de descontentamento.

Por volta do meio-dia, nos arredores da instituição a presença da polícia era ostensiva diante do temor de que os familiares tentassem entrar à força para saber como estavam os internos. Uma das mães, demonstrando desespero, se queixou da falta de informação. “Temos direito de saber o que aconteceu com nossos filhos”, repetia. Atrás do impenetrável cerco policial era possível ver como algumas das meninas, com os rostos tampados com toalhas, eram levadas para veículos do Sistema Penitenciário para serem transferidas para outras instituições, sem que as autoridades informassem para onde.

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