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Herdeiro da Samsung é preso por seu envolvimento em escândalo de suborno

Lee Jae-yong foi acusado de estar envolvido no caso de corrupção que levou à destituição da presidenta sul-coreana

Lee Jae-yong, herdeiro da Samsung, um dia antes de sua prisão, em Seul, na quinta-feira, cercado de jornalistas.
Lee Jae-yong, herdeiro da Samsung, um dia antes de sua prisão, em Seul, na quinta-feira, cercado de jornalistas. REUTERS

O escândalo de corrupção que afeta o alto escalão político e econômico da Coreia do Sul ultrapassou na sexta-feira uma barreira até há pouco intransponível: os grandes conglomerados familiares. Lee Jae-yong, herdeiro da Samsung e líder de fato do maior grupo empresarial do país, foi preso por sua suposta implicação em um escândalo de corrupção conhecido como o caso da Rasputina sul-coreana, que provocou a destituição da presidenta Park Geun-hye em dezembro passado.

Um Tribunal do Distrito Central de Seul decidiu aceitar a petição da Promotoria, que pela segunda vez em menos de um mês solicitava a prisão de um dos homens mais poderosos do país. Primeiro Lee foi acusado de suborno, malversação de fundos e perjúrio, mas os juízes se recusaram a emitir a ordem porque consideravam que sua prisão não se justificava. Nos últimos dias, promotores acrescentaram provas e apresentaram novas acusações, entre elas a de obstrução da justiça e de violar a lei que regula as transferências de ativos ao exterior, o que fez os juízes do mesmo tribunal mudarem de opinião.

“Levando-se em conta as novas acusações e provas recolhidas, reconhecemos a justificativa e a necessidade de prisão”, disse o juiz sobre sua mudança de opinião, informa a agência sul-coreana Yonhap. Lee, de 48 anos, está em um centro de detenção ao sul de Seul, onde ficou aguardando a decisão do tribunal, que chegou depois de uma audiência a portas fechadas que durou o dia todo. A Promotoria pode mantê-lo preso por até 21 dias antes de apresentar acusações formais contra ele.

O herdeiro da Samsung é suspeito de ter autorizado várias filiais do grupo a efetuar pagamentos no valor de 43 bilhões de wons (mais de 130 milhões de reais) à família e a fundações de Choi Soon-sil, conhecida como a “Rasputina sul-coreana” por ser confidente da ex-presidentapr e exercer uma enorme influência sobre ela. Em troca, a Samsung teria obtido o apoio do Governo para a fusão de duas de suas filiais e assegurado a sucessão de Lee à frente do grupo. O pai de Lee, o patriarca da Samsung Lee Kun-hee, está incapacitado desde que sofreu um infarto em 2014.

A prisão do herdeiro da Samsung é um golpe também para a ex-presidenta Park, que sempre rechaçou as acusações de corrupção

A empresa reiterou a inocência de seu líder. “Faremos todo o possível para garantir que a verdade seja revelada em futuros processos judiciais”, disse em um breve comunicado. A Samsung admitiu ter realizado doações a duas organizações sem fins lucrativos de propriedade de Choi, mas negou que esses pagamentos estejam relacionados à fusão de suas filiais ou que tivessem sido realizadas para obter favores políticos em troca. Não se sabe como a prisão de Lee afetará o desenvolvimento da empresa, cuja atividade representa quase um quarto da economia sul-coreana. Segundo os analistas, o mais provável é que, com Lee sob custódia, os grandes investimentos ou aquisições pendentes fiquem paralisados.

A prisão de Lee representa um ponto de inflexão na Coreia do Sul, cujos cidadãos desconfiam há anos dos estreitos vínculos existentes entre os grandes grupos familiares e a classe política, e que ninguém até agora se atreveu a investigar. A prisão de Lee, talvez o mais importante empresário do país, abre a porta para mais prisões de outros responsáveis por grandes empresas suspeitas de realizado práticas similares. Os investigadores asseguram que até 53 empresas fizeram doações de forma direta ou indireta a Choi.

A prisão do herdeiro da Samsung é um golpe também para a ex-presidenta Park, que sempre rechaçou as acusações de corrupção. Destituída pelo Parlamento em dezembro passado e suspensa de suas funções, Park espera a decisão do Tribunal Constitucional do país, que decidirá, em março, se ela foi afastada do poder de forma legal. Se os juízes lhe derem razão, Park poderá recuperar seu posto —apesar de sua popularidade estar próxima a zero— e continuar como presidenta até o fim de seu mandato, no fim deste ano. Se, ao contrário, considerarem que a decisão do legislativo sul-coreano é justificada, o país deverá realizar novas eleições em um prazo de dois meses e a já ex-presidente ficará sem imunidade legal, podendo ser acusada e ir a julgamento.

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