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Beyoncé, uma deusa da maternidade no Grammy

Artista, apesar da grande vitória de Adele, monopolizou as atenções ao se apresentar grávida de gêmeos

Beyonce Grammy 2017 Ampliar foto
Um momento da apresentação de Beyoncé. AFP
Madri / Los Angeles

A grande vencedora foi Adele, que ganhou cinco grammys, mas quem atraiu todos os olhares foi Beyoncé, que subiu ao palco como uma deusa da maternidade. Não só usou um apertadíssimo vestido vermelho de paetês que evidenciava a gravidez de gêmeos, como também transformou sua apresentação – vestida de transparências e ouro, criação do estilista Peter Dundas – em uma ode à fertilidade, ao poder criador das mulheres e à força que elas têm quando se unem.

Adele foi a protagonista absoluta da noite de Los Angeles (Califórnia). Ela abriu o show cantando Hello e também o encerrou. Mas, sem dúvida, o momento mais comentado foi a entrada de Beyoncé como deusa dourada da fertilidade, para deleitar o público com as músicas Love Drought e Sandcastles. A apresentação foi uma ode à maternidade, um alarde técnico e um hino à união das mulheres.

A artista dançou e se sacudiu menos que de costume (deixou isso para o corpo de baile), enquanto eram projetadas imagens dela em biquíni de correntes de ouro, de sua mãe (que a apresentou na noite de gala), da própria artista aos 5 anos e de sua filha Blue Ivy. Na plateia, Jay Z chorava, enquanto abraçava Blue Ivy, que vestia um smoking rosa em homenagem a Prince.

Beyoncé
Beyoncé, ao receber o prêmio. REUTERS

Beyoncé, com uma auréola, chegou a aparecer como um cópia da iconografia cristã da Virgem Maria, e também como Shiva. Já nas redes sociais, porém, brasileiros a identificavam como Oxum, um orixá das religiões de matriz afro. E sempre rodeada de mulheres, dezenas de mulheres reais ou projetadas. Um canto ao poder criador da mulher.

Beyoncé, que não posou no tapete vermelho antes da festa em Los Angeles, viu, mais uma vez, um de seus grandes discos ser premiado nas categorias especializadas, mas superado por um artista branco nas gerais. A britânica Adele, de 28 anos, ganhou cinco prêmios. Apesar disso, quis dedicar seu triunfo a Beyoncé, de 35 anos, que, segundo a cantora de Tottenham, devia ter recebido o grande troféu da noite.

“Não posso aceitar este prêmio”, disse a artista ao receber o Grammy de álbum do ano. “Estou muito agradecida, mas minha vida é Beyoncé, e, para mim, o melhor álbum é o dela, um trabalho monumental e bem pensado. É um trabalho magnífico em que ela desnuda sua alma e revela uma parte de si que nem sempre mostra”, acrescentou.

Lemonade, um álbum muito pessoal de Beyoncé aclamado pela crítica, com oito indicações, ficou com o prêmio de melhor álbum urbano contemporâneo e de melhor clipe. Beyoncé, com 22 grammys em sua carreira, só conseguiu triunfar uma vez nas categorias gerais, com uma música do ano. “Minha intenção era criar um trabalho que desse voz a nossa dor, nossas lutas, nossas trevas e nossa história”, disse ao receber o prêmio.

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