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Debbie Reynolds, a eterna estrela de ‘Cantando na Chuva’, morre um dia após sua filha, Carrie Fisher

A atriz, imortalizada em filmes como o clássico musical 'Cantando na chuva', foi hospitalizada após acidente cardiovascular

Carrie Fisher e sua mãe Debbie Reynolds, em janeiro do passado ano.
Carrie Fisher e sua mãe Debbie Reynolds, em janeiro do passado ano. EFE

Debbie Reynolds, para sempre a voz de Cantando na Chuva, morreu aos 84 anos, apenas um dia depois da morte de sua filha, a também atriz e estrela de Star Wars, Carrie Fisher. Todd Fisher, seu filho e irmão de Carrie, confirmou a notícia. “Está com Carrie”, afirmou em um comunicado o também ator e diretor. A candidata ao Oscar em 1965 por A Inconquistável Molly foi internada no hospital Cedars-Sinai de Los Angeles depois de apresentar sintomas de uma possível embolia. A atriz se encontrava na casa do filho organizando o funeral de Fisher quando se sentiu mal e seus familiares chamaram os serviços de emergência. Depois da internação à 1 hora (horário local) desta quarta-feira, Todd disse que a mãe “não estava bem”. A morte foi confirmada horas mais tarde.

Como ocorreu com todos os seguidores e amigos de Fisher, a morte da filha pegou Reynolds de surpresa. A atriz mais conhecida como princesa Leia, papel que lhe deu fama como protagonista de Star Wars, sofreu uma parada cardíaca na sexta-feira enquanto voava de Londres a Los Angeles. Apesar do rápido atendimento recebido no voo e sua imediata transferência ao hospital UCLA, Fisher nunca se recuperou do ataque cardíaco e permaneceu internada até sua morte na terça-feira. Tinha 60 anos.

Depois de sua morte, Reynolds enviou uma mensagem de condolências a todos os fãs de sua filha, agradecendo-lhes sua dedicação. “Obrigada a todos os que desfrutaram dos talentos e dons de minha amada e incrível filha”, ela afirmou em uma nota divulgada nas redes sociais que em lugar de assinar como Reynolds optava por se despedir como “mãe de Carrie”. Este foi seu último comunicado público.

Debbie Reynolds em 1952.
Debbie Reynolds em 1952. AP

No entanto, no universo de Hollywood, Debbie Reynolds sempre brilhou com estrela própria. Estreou no cinema com o musical Três Palavrinhas (1950), com o qual conseguiu uma indicação ao Globo de Ouro como “a nova estrela do ano”. Sua verdadeira estrela chegaria somente um ano mais tarde quando atuou ao lado de Gene Kelly e Donald O’Connor neste clássico do cinema que é Cantando na Chuva. Reynolds tinha somente 19 anos quando interpretou o papel de Kathy Selden nesta produção musical de Hollywood no momento em que as estrelas do cinema mudo tinham de se adaptar ao sonoro. Seu talento como atriz e cantora, como também dançarina nesta comédia musical sob a batuta de Kelly fizeram de Reynolds uma lenda.

A carreira de Reynolds nunca conseguiu superar a popularidade desse sucesso. Outros títulos de sua filmografia foram Uma Esperança Nasceu em Minha Vida, A Festa do Casamento, A Flor do Pântano, Será Que Ele É?, Mother, Dominique e A Inconquistável Molly, filme pelo qual foi indicada ao Oscar e Globo de Ouro como melhor atriz. Reynolds também teve sua própria série de televisão, The Debbie Reynolds Show (1969), além de participar mais recentemente em séries como Will & Grace (2000), o filme infantil Halloweentown - A Cidade do Halloween e numerosas dublagens animadas. Seu último papel foi o de mãe do Liberace de Michael Douglas em Behind the Candelabra (2013). No último festival de Cannes estreou o documentário Bright Lights – que será exibido pela HBO em 2017 – no qual Reynolds trabalhou com sua filha Carrie mostrando a relação que as uniu – e as separou – durante anos e o legado que ambas deixaram nessa indústria.

Foi indicada ao Oscar e ao Globo de Ouro por A Inconquistável Molly, mas foi com Cantando na Chuva que tornou-se uma lenda de Hollywood 

Em uma vida como a de Reynolds também não faltaram os escândalos, especialmente o divórcio de seu primeiro marido e pai de Carrie, Eddie Fisher. O casamento acabou em 1959 quando Reynolds descobriu que o cantor tinha um caso com a melhor amiga da atriz, outra lenda da Hollywood de antigamente, Elizabeth Taylor. A ironia do destino fez com Taylor e Reynolds morressem no mesmo hospital.

Junto com seu trabalho como atriz, Reynolds fez carreira como mulher de negócios, fundando sua própria escola de dança e construindo um cassino em Las Vegas. Além disso, a estrela será lembrada como uma das principais figuras em conservação da Hollywood de antigamente, preservando uma das maiores coleções de roupas dessa indústria.

Reynolds recebeu em 2015 o prêmio do Sindicato de Atores por toda a sua carreira, além do prêmio humanitário Jean Hersholt concedido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood por seu trabalho de ajuda no diagnóstico e tratamento dos transtornos mentais com a fundação Thalians. Carrie Fisher nunca escondeu seus problemas mentais, afetada pela bipolaridade.

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