Quedas, onças e sabotagens: as aventuras da tocha olímpica no Brasil

Desde que chegou ao Brasil no início de maio, a chama se tornou objeto de ameaças de roubo, piadas e 'selfies'

Tocha olímpica no Brasil
A tocha olímpica em Canoas. Agência Preview/ SETEL RS

Nenhum sinal da Olimpíada é mais poderoso que sua tocha e não houve uma mais tenaz que a brasileira. Desde que chegou a este país no início de maio, a chama foi submetida a tentativas de sabotagem com água e extintores de incêndio, ameaças de roubo, piadas, a imperícia de seus carregadores menos esportivos, até que, finalmente, parte da população brasileira começou a considerá-la uma tocha maldita. E, no entanto, seu fogo resiste e continua seu atribulado caminho até o estádio no Rio de Janeiro. No capítulo mais sangrento desta saga, ela esteve envolvida na morte de Juma, a onça mascote do primeiro Batalhão de Infantaria da Selva, que acompanhava sua passagem por Manaus (capital do Amazonas) e foi abatida a tiros quando se aproximou muito perto de um soldado durante a cerimônia de passagem. No capítulo mais surrealista, foi objeto do selfie mais descarado da história. E entre esses dois extremos há uma história, contada em episódios na forma de vídeos amadores no YouTube, de resistência de fundo tão olímpica quanto seu fogo.

Dos muitos vídeos em que carregadores terminam no chão, o principal, por viralidade e poesia, é este: uma bicicleta invade a procissão, derruba o homem que carrega a chama e, então, um herói de verde entra em ação.

Isso não foi suficiente para extinguir a chama, assim como em 13 de julho, este homem quis apagá-la com um extintor de incêndio.

Nem apagou quando um homem decidiu terminar com o fogo que tinha sobrevivido a um extintor de incêndio... com um balde de água.

Também não foi suficiente a primeira vez registrada que a tocha tocou o solo brasileiro.

Nem quando tocou de novo (a mulher que caiu com ela, proprietária de uma loja de departamentos, transformou o acidente em uma campanha publicitária: “Os preços também caem”).

Nem quando o caminho passou por Guarulhos, no estado de São Paulo, na semana passada e um homem vestido de preto tentou roubá-la.

Nenhum desses acidentes é algo único daqui. Dois rapazes tentaram roubar a tocha em Londres, em 2012. O truque do extintor tinha sido visto em 2008. O que é diferente desta vez é a quantidade de incidentes, algo talvez relacionado com o mal-estar entre certos grupos da população brasileira pela Olimpíada. Argumentam que o país, mergulhado em uma profunda crise econômica e política, não tem dinheiro para os Jogos Olímpicos e procuram expressar sua opinião. Quando a tocha chegou ontem a Angra dos Reis, no estado do Rio de Janeiro, chegou a seu ponto mais dramático: alguns manifestantes conseguiram apagar o fogo.

O que não conseguiram foi impedir que voltasse a ser acesa e seguisse seu caminho. A tocha mais tenaz do mundo resiste.

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